
Velho sistema de gestão de semáforos, datado da década de 1980, está a ser alterado gradualmente desde o ano passado
Carlos Carneiro / Global Imagens
Gestores automáticos de fluxo de trânsito estão a ser alterados gradualmente. Processos em marcha, mas ainda a ritmo baixo.
Os semáforos nas principais cidades portuguesas estão em fase profunda de mudança. No Porto e em Lisboa, os velhos sinais estão a ser substituídos por sistemas mais modernos, adaptados aos atuais fluxos de trânsito e adequados à realidade atual. Mas a mudança é lenta e ainda com poucos reflexos para os automobilistas.
No Porto, desde 1 de maio de 2021, foram já substituídos 68 dos 272 semáforos existentes, conforme apurou o JN junto da Autarquia liderada por Rui Moreira. A previsão, segundo a Câmara Municipal, é que todos sejam alterados por "controladores de tráfego de última geração" até meados de 2025.
Já em Lisboa, o novo sistema SIM.Lx, à base de inteligência artificial, entrou em funcionamento em novembro do ano passado. Com 547 semáforos ativos, a capital também se encontra em processo de mudança gradual. O objetivo, tal como explicou a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL), em comunicado, é "tornar possível a centralização de todos os cruzamentos semaforizados e antecipar os diferentes cenários de tráfego suscetíveis de criar situações de congestionamento".
José Pedro Tavares, professor na Faculdade de Engenharia do Porto, especialista na área dos transportes e mobilidade e autor de diversos estudos sobre estas matérias, entende que as soluções encontradas "são eficientes e das mais modernas do Mundo".
Entre as principais novidades que podem ter reflexos diretos nos fluxos de trânsito está "a monitorização em tempo real do estado dos equipamentos e da circulação", o que significa "prever de forma automática situações de congestionamento e aumentar a capacidade de circulação".
Já para Fernando Nunes da Silva, professor catedrático em Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico e ex-vereador da Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa, esta era uma mudança há muito necessária, mas que ainda precisa de afinações para se tornar eficaz.
"Enquanto todo o sistema não estiver interligado haverá falhas. Ou a cobertura da rede é integral, ou existirão sempre zonas de sombra que geram imperfeições", explica. O problema de base, considera, "é que se está a tentar otimizar a resposta da oferta à procura de forma cega. Seria importante prestar uma informação clara às pessoas".
A consequência, aponta Fernando Nunes da Silva, é que os condutores "são levados em bloco para rotas recomendadas, o que acaba inevitavelmente por provocar congestionamentos de trânsito". De qualquer forma, o SIM.Lx "é sempre preferível a outro qualquer sistema baseado somente em algoritmos de procura, tal como acontecia com o GERTRUDE", sistema que está em vias de pertencer ao passado.
Prioridade ao peão será nova realidade
Os novos sistemas de semaforização podem ser o princípio do fim da prioridade ao automóvel que as cidades sempre privilegiaram. A perspetiva é de Paula Teles, fundadora e presidente da MPT - Mobilidade e Planeamento do Território, que prevê a "adaptação do espaço público aos peões e às ciclovias, e só depois dos automóveis". Considera que a atual sinalética "está centrada na função rodoviária e não na mobilidade suave", mas vê "mudanças graduais" e um "novo paradigma" que começa a ser levado em conta por quem planeia as cidades.
