Covid-19

O gato belga, o cão de Hong Kong e a segurança veterinária

O gato belga, o cão de Hong Kong e a segurança veterinária

Anorexia, diarreia, vómitos, tosse e dificuldade respiratória... O felino caseiro de Liège tinha todos os sintomas e testou positivo na despistagem da Covid-19.

O mesmo para o canino de Hong Kong, embora assintomático. Foram "oficialmente" noticiados como primeiros casos de animais infetados por coronavírus, supostamente transmitido pelos donos. Tudo sem conclusão científica. Os epidemiologistas observam que só uma ínfima porção do ARN [ácido ribonucleico] do vírus foi detetada e que é especulativo concluir que os bichos foram contagiados. Seja com for, a pandemia alerta o Mundo. Por cá, a Ordem dos Médicos-Veterinários (OMV) recomenda à classe que exerça o mais possível à distância, em telemedicina. A saúde dos profissionais e a biossegurança estão cima de tudo.

Clínicas e hospitais mantêm-se abertas, mas só para casos de urgência. Consultas/exames de rotina e atos médicos menos prementes estão adiados. A primazia vai para a continuidade dos cuidados inadiáveis e para a preservação da saúde pública. Também a dos veterinários, classe imprescindível para o controlo sanitário. A pecuária é um dos setores de produção sob vigilância redobrada, por estar em causa a própria segurança alimentar.

E por estes dias de pandemia e de medo, também as clínicas e hospitais se adaptam às novas rotinas de trabalho. Além das defesas mais reflexas, próprias dos imperativos deontológicos, há determinações para o cumprimento escrupuloso de todas as recomendações de prevenção da Covid-19.

As medidas visam evitar que à crise de saúde pública se somem as ameaças à saúde animal, que teriam um impacto devastador na economia. Em toda a União Europeia, o plano de contingência dos veterinários tem foco especial em toda a linha da agropecuária, da criação ao matadouro. De todas as disposições de segurança e higiene, realça-se a determinação de vigilância veterinária à alimentação e condições de abate dos animais. E uma regra muito insistente: o Conselho Profissional e Dentológico da OMV "autoriza" - isto é, manda -, que a telemedicina seja dominante.

"Hoje em dia, há meios audiovisuais que possibilitam essa prática", afirma o bastonário da OMV, Jorge Cid.

"Lavem as patas!..."

E se os animais não transmitem o vírus, veterinários e epidemiologistas recomendam-lhes todas as cautelas sanitárias. Portanto, cuidado com o cão! E quem diz cão, diz gato e todos os animais de estimação. Se não transmitem o vírus ao Homem, também não devem desobrigar-se das cautelas sanitárias a que se impõem os donos. "Lavem as patas frequentemente", alertam os veterinários.

Os animais requerem todos os cuidados, ainda mais em ambiente doméstico, porque, como qualquer outra superfície, podem ser portadores do SARS-CoV-2.

No pelo, nas patas... Não há passeio à rua que não deva ser concluído com a desinfeção dos quatro apoios, antes de o animal reentrar em casa. Tal como os donos deixam os sapatos à porta...

Algum teste para Covid-19 deu positivo num animal?

Sim. No cão de Hong Kong. As zaragatoas do aparelho respiratório testaram fracamente positivas. As intestinais testaram negativas em quatro datas. Foi libertado da quarentena. Morreu em casa, sem qualquer sinal do coronavírus. Aos 17 anos, morreu de velhice e de problemas cardíacos crónicos, provavelmente agravados por stress.

O cão estava mesmo infetado e podia transmitir vírus?

Resultado "fracamente positivo" significa que uma pequena porção de ARN do vírus está presente na amostra. No entanto, não distingue se estão presentes vírus intactos, que são infeciosos, ou apenas fragmentos do ARN viral, que não o são. Os resultados sugerem que o cão tinha baixo nível de infeção. Apesar de oficialmente se admitir estarmos em presença de uma infeção humano-animal, isto é ainda especulativo e será necessário continuar a investigar.

Se na mesma casa estiver uma pessoa infetada, em isolamento, e outra não infetada, o animal pode visitar ambas?

Não. O princípio da precaução diz que não. Tome todas as medidas para que o animal não contacte com a pessoa infetada ou suspeita. Se não for possível, os infetados, com ou sem sinais clínicos, ou mesmo suspeitos, devem usar máscaras para contactarem com os animais.

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