Investigação

Onze cientistas portugueses ganham 23 milhões de euros em bolsas

Onze cientistas portugueses ganham 23 milhões de euros em bolsas

O Conselho Europeu de Investigação (ERC na sigla original) divulgou esta quarta-feira a atribuição de bolsas a 11 investigadores portugueses, seis dos quais a trabalhar em instituições nacionais. O valor das bolsas atribuídas a Portugal atinge os 12,8 milhões de euros, chegando a 23 milhões se contarmos os cinco que estão no estrangeiro.

Um dos vencedores da bolsa "Consolidator Grant" é Miguel Carneiro, investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéricos da Universidade do Porto que ganhou uma bolsa de dois milhões de euros. O financiamento vai permitir desenvolver o projeto EYESPOT, cujo objetivo é estudar a base genética e celular das cores estruturais em aves. Através de uma abordagem inovadora e multidisciplinar, o projeto vai investigar os mecanismos moleculares subjacentes à formação das estruturas microscópicas que estão na base da cor das penas das aves, divulgou a Universidade do Porto em comunicado.

Maria João Amorim é investigadora da Fundação Calouste Gulbenkian e o seu projeto LOFlu foi um dos destacados pelo ERC. O estudo conduzido por Amorim visa proporcionar novos meios para limitar as infeções, através do entendimento da relação entre a carga viral e a resposta imunitária do hospedeiro. O projeto é feito através do estudo do vírus da gripe.

Ricardo Henriques é, também, investigador da Fundação Calouste Gulbenkian, e foi-lhe atribuída a bolsa "Consolidator Grant" pelo seu projeto de microscopia ótica. Através da criação desta nova tecnologia, Henriques e a sua equipa desenvolvem imagem celular. Segundo a Gulbenkian, este projeto tem impacto no estudo virológico e entendimento de certas interações celulares.

Também investigadora da Gulbenkian, Raquel Oliveira recebeu uma bolsa do Conselho Europeu de Investigação pelo seu estudo em dinâmicas de cromossomas. O projeto visa avaliar como a arquitetura de cromossomas influencia os aspetos mecânicos do movimento celular, e o posterior desenvolvimento de doenças cancerígenas e infertilidade.

Estudo do cérebro no Minho

Ana João Rodrigues, investigadora da Universidade do Minho, foi distinguida pelo seu estudo das valências, positivas ou negativas, atribuídas pelo cérebro a certos estímulos. O objetivo do projeto é "compreender melhor como é que o nosso cérebro codifica o prazer e a aversão", e as influências desta codificação em certas patologias, como a adição e depressão.

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Por fim, Patrícia Vieira recebeu uma bolsa do ERC pelo seu estudo em textos sobre a natureza da Amazónia, na Universidade de Coimbra. A investigadora centra o seu projeto na desconstrução de textos sobre a natureza amazónica de uma perspetiva ecocrítica, numa tentativa de estabelecer relações entre o discurso produzido e as atitudes humanas face à natureza.

Os restantes cinco investigadores portugueses premiados desenvolvem o seu trabalho no estrangeiro. João Matos estuda arquitetura de cromossomas na Áustria; Rui Benedito estuda o comportamento celular do sistema vascular em Espanha; Ana Ferreira é uma das três investigadoras que está no Reino Unido a desenvolver trabalho sobre o manto terrestre nos Açores e na Madeora. Os outros dois são Alexandra Silva que cria algoritmos de verificação em sistemas de hardware e software e Vasco Carvalho estuda os comportamentos anticompetitivos das grandes empresas e a disseminação de inovação nas cadeias de produção.

A bolsa "Consolidator Grant" do Conselho Europeu de Investigação é atribuída a projetos nas áreas das Ciências da Vida, Ciências Físicas e Engenharia, e Ciências Sociais e Humanas. No total, o ERC distinguiu 327 investigadores em 23 países, com um apoio total de 655 milhões de euros.

37% das 327 bolsas foram concedidas a mulheres, o valor mais alto desde o início deste regime de apoios. As mulheres têm uma taxa de sucesso de 14,5% contra 12,6% nos homens.

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