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PAN quer rede de bancos de leite materno pelo país

PAN quer rede de bancos de leite materno pelo país

O único banco de leite materno do país, sedeado na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, recebeu esta sexta-feira a visita do grupo parlamentar PAN, no âmbito da semana Mundial do Aleitamento Materno. A necessidade de criar uma rede de bancos de leite materno no país foi, mais uma vez, lembrada pela porta-voz do partido, Inês de Sousa Real.

Israel Macedo, coordenador do Banco de Leite que guiou a visita dos deputados do Partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza (PAN), pelas instalações do banco, revelou que para a criação de um novo banco, "em termos de equipamento (que inclui pasteurizadores, arcas frigoríficas), deve-se gastar cerca de 100 mil euros", tirando as instalações. Até agora o banco de leite humano da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) é o único do país, apesar de um novo banco no Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, já estar em marcha, disse.

Em declarações aos meios de comunicação social, no final da visita, a deputada Inês de Sousa Real insistiu "no valor diminuto que custa a implementação de um banco de leite materno nas unidades hospitalares. Quantias de 100 mil euros são perfeitamente acomodáveis pelo Orçamento do Estado", disse.

Apesar de o partido já ter conseguido fazer aprovar no Parlamento um projeto de resolução nesse sentido, a deputada disse que "o PAN não deixará de trabalhar, quer seja no âmbito do Orçamento do Estado ou do processo legislativo, para que a rede dos bancos de leite materno seja expandida a todo o país. É fundamental que exista pelo menos um banco de leite em cada uma das administrações que possa trabalhar em rede com os vários centros hospitalares e de saúde". Assim, referiu, o ideal seria "criar quatro bancos maternos [no continente] e mais um por cada ilha".

A deputada insistiu que o leite materno "é uma medida preventiva do ponto de vista da saúde e, acima de tudo, salva vidas. Estamos a falar de bebés prematuros que, muitas das vezes, atendendo não só as poucas semanas de vida quando nascem, é fundamental ter este primeiro leite materno em vez de terem as fórmulas de alimentação, o que tem um impacto muito forte na sua saúde quer a curto espaço como a médio e longo prazo".

Alargar a mais hospitais

A localização do banco em Lisboa faz com que bebés desta região tenham acesso privilegiado ao leite, ao contrário de outras regiões do país. Os hospitais Fernando da Fonseca [Amadora-Sintra] e o Hospital de Cascais são também fornecidos pelo Banco de Leite Humano da MAC.

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Possivelmente, os hospitais Garcia de Orta [Almada], de Santa Maria e Francisco Xavier, quando concluídas as negociações, entrarão para esta lista, declarou Israel Macedo aos presentes. Atualmente, existe um protocolo com o Centro de Saúde de Oeiras que "está mais próximo das dadoras do que o banco de leite", realizando principalmente "recolha de leite e triagens", afirmou. Todo o processo de tratamento do leite, incluindo a sua pasteurização é feito exclusivamente na Maternidade Alfredo da Costa.

Os prematuros abaixo das 32 semanas são os que têm mais prioridade. O coordenador revelou que "nunca deixaram de conseguir responder a todos.

"Se passarmos a trabalhar com mais Centros de Saúde é provável que aumente [a quantidade de leite]. Temos picos de 600 litros por ano, também alturas de grande escassez mas, nos últimos anos, tem estabilizado por volta dos 400 litros e o número de bebés ronda os 160 e 170. Bebés com menos de um quilo e meio", disse Israel Macedo.

Além da importância da criação de mais bancos de leite noutras zonas do país, o coordenador disse que pretendem "fazer uma reestruturação a curto prazo" para melhorar as condições do banco a nível de espaço das instalações. Existem também outros problemas a nível de recursos humanos. "Temos de fazer um esforço para aumentar o pessoal. Temos uma pirâmide invertida" por causa do pouco pessoal administrativo, sendo que médicos e enfermeiras acabam por realizar esse trabalho.

O número de doadoras tem aumentado nos últimos anos, chegando às 51 em 2019, segundo os dados apresentados num documento distribuído aos deputados e comunicação social. "Tem de haver alguma sensibilização. Em hospitais privados, algumas enfermeiras já foram dadoras e transformaram-se numas promotoras": as mães são informadas durante a preparação para o parto "que se tiverem excesso de leite, podem doar", disse, o que faz com que "muitas contactem o banco e têm acesso a informação pela Internet", disse o coordenador.

"As doadoras são pessoas mais seguras, que tiveram uma boa experiência com o seu primeiro bebé" ao contrário das "mulheres que foram mães pela primeira vez que são pessoas mais inseguras e ansiosas e tem problemas em amamentar o seu próprio bebé", prosseguiu.

Não são só os bebés que ganham com a existência destes bancos. "Poupa-se [em cuidados de saúde por parte do Estado] cerca de 5 mil a 6 mil euros por cada bebé que faz este tipo de alimentação", defendeu o coordenador. "O ganho é claramente positivo quando vamos ver a quantidade de vidas que se salvam", concluiu Israel Macedo.

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