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Pandemia aumentou ansiedade e risco de abandono escolar

Pandemia aumentou ansiedade e risco de abandono escolar

A pandemia fez aumentar o risco de abandono escolar em Portugal, revelou esta terça-feira o Conselho Nacional de Educação (CNE). A conclusão consta de um estudo, solicitado pelo Parlamento, que também dá conta de um aumento da ansiedade e de sintomas de depressão nos alunos. Ainda assim, houve um aumento de candidaturas ao Ensino Superior.

"As circunstâncias ditadas pela pandemia covid-19, com efeito nas aprendizagens, podem inverter a tendência observada relativamente ao abandono escolar", lê-se no estudo, intitulado "Efeitos da Pandemia covid-19 na Educação: Desigualdades e medidas de equidade".

Segundo o documento, o impacto do vírus comprometeu os "indicadores positivos" verificados neste capítulo em 2018 e 2019. A "perceção de gravidade" da parte dos diretores e professores inquiridos foi maior nas escolas com percentagens significativas de alunos que não participaram nas atividades escolares, que são beneficiários da Ação Social Escolar, que não têm o Português como língua materna ou que apresentam necessidades específicas.

A pandemia trouxe, também, maiores dificuldades de aprendizagem, verificadas sobretudo no 1.º Ciclo do Ensino Básico. De acordo com as conclusões do estudo, estas "terão decorrido obviamente do encerramento das escolas e do acesso aos dispositivos digitais, à rede de Internet e à formação digital adequada".

A "especificidade" do ensino da leitura, da escrita ou da iniciação à matemática terá contribuído para acentuar as dificuldades nos primeiros anos de escolaridade.

O relatório do CNE identificou ainda um "aumento significativo de níveis de ansiedade e de alterações de humor" nos jovens alunos. A interrupção do normal funcionamento das escolas levou a um aumento de "conflitos e divergências em casa", bem como ao aparecimento de "sinais de depressão e irritabilidade" e de um "sentimento de solidão".

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Todos estes fatores "mostraram ter impacto no agravamento das desigualdades de aprendizagem", argumenta o estudo. O documento encontra ainda uma "correlação" entre as condições de habitabilidade e os "efeitos psicológicos negativos" nas crianças.

Para contrariar as desigualdades "que a pandemia agravou", o CNE propõe a implementação de "respostas transversais e concertadas, que sejam objeto de acompanhamento e de avaliação". Também se admite que a forma de avaliar os alunos possa vir a ter de ser repensada.

Como nota positiva, o aumento de candidatos ao Ensino Superior em 2020 - foram 62 675, mais 11 mil do que em 2019 - "leva a crer que a pandemia não terá inibido as pretensões de prosseguimento de estudos" dos alunos que concluíram o Secundário no primeiro ano da pandemia.

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