Saúde

Pandemia deixa milhares de crianças por vacinar

Pandemia deixa milhares de crianças por vacinar

Na semana passada registou-se uma quebra média de cerca de 8500 vacinas por dia. Pais têm receio de levar crianças aos centros de saúde. Risco de não vacinar é elevado.

Na semana passada, o número de vacinas administradas nos centros de saúde caiu abruptamente face à semana anterior. O receio de muitos pais em levar bebés e crianças à rua, e em especial a unidades de saúde que também estão a atender casos suspeitos de Covid-19, terá contribuído para a quebra. Face às dúvidas de pais e profissionais, a Direção-Geral da Saúde (DGS) alertou ontem que a vacinação até aos 12 meses é prioritária, não devendo ser adiada. Nas vacinas seguintes há mais flexibilidade.

"A vacinação no primeiro ano de vida é essencial. Não queremos que, além do Covid-19, surjam surtos de sarampo, tosse convulsa ou meningites", afirmou ao JN Teresa Fernandes, coordenadora do Programa Nacional de Vacinação (PNV), da DGS.

De acordo com o portal do SNS, que faz a monitorização da administração das vacinas do PNV, na semana passada (dias 16, 17 e 18, as últimas datas disponíveis) foram administradas cerca de 48 mil vacinas nos agrupamentos de centros de saúde. Nos mesmos dias da semana anterior tinham sido 74 mil, o que representa uma quebra média de 8500 mil vacinas por dia. Nos anos anteriores, não há registo de uma curva tão baixa como a da semana passada.

Teresa Fernandes desvaloriza, alertando que as comparações devem ser feitas por períodos mais longos, nomeadamente semestres, e realça que estas crianças vão ser reagendadas. A decisão de emitir um comunicado a alertar os pais surgiu "das muitas dúvidas de profissionais de saúde e de pais" sobre o tema.

Na prática, a recomendação é: até aos 12 meses, o PNV deve ser cumprido à risca, para proteger os bebés contra 11 doenças graves, e os pais cujas crianças têm estas vacinas em atraso devem contactar as respetivas unidades de saúde. A vacina dos 18 meses pode ser adiada "mas não por muito tempo", sublinha Teresa Fernandes. E as seguintes podem ser administradas durante o ano em que a criança completa os cinco anos e os dez anos.

Outra preocupação são os grupos de risco, crianças vulneráveis a quem são recomendadas vacinas específicas, e as grávidas que não devem deixar de tomar a vacina da tosse convulsa (o mais tardar até às 32 semanas de gestação).

As dúvidas dos pais sobre se devem ou não levar as crianças a tomar a vacina estão a chegar aos centros de saúde. "Os pais têm medo, ligam-nos a perguntar se devem sair com os filhos", revela Diogo Urjais, enfermeiro de família e presidente da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiares (USF-AN).

Circuitos autónomos

Os centros de saúde estão com serviços mínimos. A atividade programada, nomeadamente consultas, está a ser desmarcada e em alguns casos substituída por telefonemas do médico ou enfermeiro de família para avaliar a necessidade e o risco do doente se deslocar à unidade. Há diferenças de região para região, mas em regra os centros de saúde têm agora circuitos autónomos para atendimento dos doentes agudos (consulta aberta) e para os doentes com problemas respiratórios e potenciais casos Covid-19. Desta forma, assegura Paulo Santos, médico de Medicina Geral e Familiar e vice-presidente da mesma associação, não há cruzamento entre crianças que venham à vacina e casos suspeitos de infeção.

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