Saúde

Pedida regulação para químicos em produtos do dia-a-dia

Pedida regulação para químicos em produtos do dia-a-dia

A Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) alia-se à Sociedade Europeia de Endocrinologia e à Fundação Europeia das Hormonas e do Metabolismo e pede que a União Europeia crie regulamentos para banir substâncias nocivas que estão presentes em produtos do quotidiano, como recipientes alimentares, cosméticos, artigos de higiene e limpeza. Dizem que interferem com o sistema endócrino e provocam doenças. Esta segunda-feira assinala-se o Dia Europeu da Hormona.

Há químicos que se encontram em produtos tão variados como cosméticos, vestuário, latas, garrafas de plástico, recipientes para alimentos, produtos de higiene e limpeza e que podem "interferir no sistema endócrino, que é extremamente complexo", explica a endocrinologista Joana Guimarães. Ao atuarem de modo semelhante às hormonas no organismo, podem alterar o seu efeito ou bloqueá-lo e causar problemas de saúde.

Durante a gravidez, a exposição aos disruptores endócrinos pode levar a "problemas no desenvolvimento do feto, eclampsia nas mães e até aborto", refere a SPEDM. Estas substâncias também podem provocar alterações no sistema reprodutivo, no sistema nervoso, no imunitário, problemas respiratórios e cardiovasculares, obesidade, diabetes e dificuldades de desenvolvimento.

Podem, ainda, "desencadear cancros como o da mama, testículo, ovário e próstata, que estão relacionados com as hormonas", acrescenta Joana Guimarães.

Na Europa existe uma enorme exposição da população a estas substâncias. Segundo Joana Guimarães, tem havido alterações na legislação e algumas já foram retiradas do mercado, "mas ainda há um caminho a fazer". Também é preciso divulgar o assunto, para que as pessoas tentem "reduzir a exposição".

Das substâncias identificadas constam os ftalatos, que interferem na produção de androgénio. Estão na composição de muitas embalagens de alimentos e bebidas e as pessoas ficam expostas quando colocam as embalagens no micro-ondas.

Outro exemplo é o bisfenol A (BPA), que está em algumas caixas de plástico para guardar alimentos, latas, em perfumes, detergentes, champôs, sabonetes, pesticidas. As substâncias perfluoroalquiladas (PFAS) foram encontradas em panelas antiaderentes, adesivos e até em maquilhagem à prova de água.

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Outros disruptores endócrinos a ter em conta são o formaldeído, benzeno, ethylhexyl methoxycinnamate, dioxina e cloreto de vinil.

A Comissão Europeia produziu uma lista de análise com 564 substâncias, tendo o grupo de peritos confirmado a exposição humana a 60. Há mais a serem analisadas.

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