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Violência

Pedidos de ajuda de idosos à APAV sobem há três anos

Pedidos de ajuda de idosos à APAV sobem há três anos

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) prestou, em 2020, apoio a 1626 idosos, mais 276 do que em 2019, ano em que ajudaram 1350. Os pedidos de ajuda estão a crescer há três anos.

Uma tendência crescente pois, em 2018, foram registados 1195 processos de apoio e, em 2017, 1208. Os números foram divulgados pela associação, ontem, véspera do Dia Internacional do Idoso, durante um debate organizado pelo Grupo de Trabalho Pró-Envelhecimento Feliz.

No mesmo encontro, Marta Carmo, da APAV, aprofundou o Relatório Portugal Mais Velho, feito por aquela associação, explicando que a forma de violência mais prevalente "é a psicológica", mas esta é, também, "das mais difíceis de identificar".

No documento, a APAV recomenda a criação de comissões para adultos em situação de vulnerabilidade, à semelhança das que existem para crianças e jovens, que podem ajudar a acompanhar os idosos mais vulneráveis em diversas situações. Devem integrar elementos do "Ministério Público, autoridades de saúde, autarquias locais, Segurança Social, forças de segurança e, quando necessário, instituições ou comunidade", explicou Marta Carmo.

Manuel Lopes, da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Évora, alertou para a importância das famílias. "Se não criarmos condições para o envelhecimento em contexto sócio-familiar, estamos a tirar anos de vida, saúde e bem-estar" aos idosos, disse. Manuel Lopes admitiu que muitas famílias "não têm condições para cuidarem dos seus idosos e muitas vezes têm que ser separados" e que há muito trabalho a fazer a nível da "domiciliação de cuidados".

É necessário providenciar para que os idosos tenham atendimento em saúde e outras áreas, "em casa, onde eles estão", concordou Álvaro Beleza, da SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social.

Violência institucional

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Ana Paula Gil, do CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais, sublinhou a necessidade de se analisar a "violência institucional". "Existe muitas vezes uma ausência de cultura de direitos" e uma "cultura de omissão e negligência, que é normalizada nas práticas institucionais", disse. A pandemia "veio colocar a nu uma série de problemas" nas instituições, que incluem a "formação" de quem presta cuidados e a "falta de valorização destes profissionais".

"O silêncio tem voz"

São várias as instituições que, para assinalar o Dia Internacional da Pessoa Idosa, promovem iniciativas sobre os idosos. A CPI- Comissão de Proteção ao Idoso, Associação Regional do Norte, por exemplo, lançou a 2ª edição da campanha "O silêncio tem voz: Diz não à violência contra a pessoa idosa" que, entre outros aspetos, pretende levar os jovens a debaterem o tema nas escolas.

A campanha inclui um sítio na internet (osilenciotemvoz.org) onde serão disponibilizadas informações, em vários formatos, sobre a violência contra os idosos e textos com histórias escritas por professores e alunos de diversas escolas.

A ideia é que este material seja debatido nas escolas. Os jovens, considerou Carlos Branco, presidente da CPI, são "um ativo fundamental para a transformação da sociedade no que concerne à mudança de mentalidades e à construção de uma sociedade mais justa e inclusiva".

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