Pandemia

Pico da 5.ª vaga atingido na semana passada

Pico da 5.ª vaga atingido na semana passada

Descida da incidência nas faixas etárias mais jovens impulsiona desaceleração nacional.

O pico da 5.ª vaga pandémica foi atingido na semana passada, apontando os indicadores para o início da descida do número de novas infeções. Processo este alavancado pelo decréscimo da incidência nas faixas etárias mais novas, que impulsionaram também esta onda, com números de infeções nunca vistos nestes quase dois anos de pandemia, mais do que duplicando em janeiro passado.

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Segundo o matemático Óscar Felgueiras, que tem apoiado no Governo no combate à crise sanitária provocada pelo SARS-CoV-2, o pico de incidência nos 0-9 anos "terá sido atingido a 23 janeiro, com uma incidência máxima de 7959 casos por 100 mil habitantes a sete dias". Daí em diante, verifica-se uma descida de 12%. Com impactos diretos na incidência nacional, na medida em que "as crianças lideraram a subida e lideram a descida". Para o professor da Universidade do Porto, "o mais provável é que o pico, numa média a sete dias, tenha ocorrido a 25 janeiro".

Para Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa que há quase dois anos calcula a evolução do SARS-CoV-2, o pico "terá ocorrido entre os dias 24 e 28 de janeiro". O matemático calcula o pico em termos médios a quatro dias, sendo que "entre 24 e 28 de janeiro estivemos entre os 56 a 57 mil casos diários". Quanto à tendência de descida, "os dados de domingo e segunda-feira mostram uma diminuição face aos dias homólogos da semana passada, sendo um indicador que iniciámos a descida". E que os próximos dias deverão agora confirmar.

Também o Indicador de Avaliação da Pandemia desenvolvido pela Ordem dos Médicos e pelo Instituto Superior Técnico aponta no mesmo sentido. "Em princípio, neste momento, estamos numa fase com alguma sustentabilidade, com lenta descida do indicador, que está há vários dias a descer, estando já abaixo dos 100 [95.15], depois de ter estabilizado nos 105/103 [ponto crítico]", explica ao JN Filipe Froes, coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos para a covid-19. "Dá a entender que o pico da atividade já foi atingido", corrobora o pneumologista.

Realidade regional

"Na maior parte das outras faixas etárias estamos a assistir a uma estabilização, com abrandamento do crescimento dos casos gerais, o que dará lugar ao início de uma descida", explica, ainda, Óscar Felgueiras. Com exceção da incidência dos maiores de 70 anos que, apesar de baixa, "mantém ainda uma certa tendência de subida, com algum reflexo nos óbitos", sublinha. O matemático Carlos Antunes, por sua vez, destaca também que entre os 10-49 anos "o crescimento é quase nulo" e que "nos 50-59 também está a descer". Adiantando, ainda, que "há cinco dias que a taxa de positividade não sobe", o que vem corroborar a tendência de descida.

Em termos regionais, a dinâmica não é homogénea. "A Madeira é a região com uma descida consolidada, mais de 50% em duas semanas", afirma o matemático. Já o Norte e Lisboa e Vale do Tejo estão a iniciar o processo de descida. "O Norte terá atingido o pico a 24 de janeiro, com 4778 casos por 100 mil habitantes a sete dias, e, desde então, está em descida, da ordem dos 5%", acreditando Óscar Felgueiras que, "o mais provável, é que já não voltemos a ter os valores que tínhamos até agora, o que será particularmente visível nos casos divulgados hoje"

O que poderemos então esperar daqui em diante? Para o matemático Carlos Antunes, a evidência de que "raramente a fase descendente é mais rápida do que a ascendente". Lembrando que isso apenas aconteceu aquando de confinamentos gerais da sociedade. Para o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a Madeira "é exemplo disso, com uma descida mais lenta do que a subida".

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