Ambiente

Poluição cai para metade em várias cidades devido à Covid-19

Poluição cai para metade em várias cidades devido à Covid-19

Há menos carros na rua, os voos reduziram-se de forma abrupta e a indústria praticamente parou. Desde o primeiro decreto de estado de emergência no país, a 18 de março, que as emissões poluentes têm vindo a cair a pique.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) adianta que há cidades com quebras de 50% na emissão de dióxido de azoto. A associação Zero estima uma redução de 52 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) por dia.

A Zero fala de "uma redução inédita e sem precedentes" das emissões de gases poluentes em Portugal, por conta das medidas para conter a Covid-19. A quebra no consumo de gasóleo e gasolina levou a uma redução de quase 60% das emissões de CO2 em relação a março de 2019. A juntar ao recuo das emissões da produção de eletricidade, os dois setores fizeram baixar a libertação de dióxido de carbono de 75 mil toneladas para 36 mil toneladas por dia.

Também as emissões de CO2 associadas a voos a partir de Portugal caíram 12,7 mil toneladas por dia. Ao todo, a associação ambientalista estima que Portugal reduziu 52 mil toneladas de dióxido de carbono a cada dia.

Isso é também visível nas 64 estações que monitorizam a qualidade do ar pelo país. Segundo a APA, "há reduções significativas nas principais cidades" no que toca às emissões de dióxido de azoto, poluente ligado sobretudo ao tráfego rodoviário.

Se compararmos a semana anterior ao estado de emergência e a semana após, cidades como Coimbra e Portimão tiveram quebras na ordem dos 50%. Lisboa, Porto e Aveiro têm reduções entre os 30% e os 40%. "Há, de facto, um antes e um depois do estado de emergência", diz a secretária de Estado do Ambiente, Inês Costa, que alerta que "isto revela que o transporte rodoviário, sobretudo os movimentos pendulares na cidade, tem uma fatura pesada em termos de qualidade do ar".

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seis mil mortes prematuras

Hoje, "há muita gente a aperceber-se da ausência de ruído, a ouvir pássaros, a sentir que a qualidade do ar melhorou". "Isto demonstra de maneira clara o efeito dos nossos comportamentos. As alterações climáticas são uma das consequências, mas a qualidade do ar também tem impacto na saúde", diz.

As comemorações do Dia Nacional do Ar, que foram adiadas, este ano têm como tema "Bom ar pela saúde e bem-estar". "Acabou por ser uma escolha ainda mais significativa dado o contexto. A fraca qualidade do ar contribui para cerca de seis mil mortes prematuras em Portugal. E isto não é evidente para as pessoas", sublinha Inês Costa.

Por saber que as reduções atuais são "momentâneas", Inês Costa avisa que há que "tirar lições importantes". O caminho é optar por "mais transportes públicos e veículos de baixas emissões". E alerta que o planeamento das cidades é fundamental: "Os municípios têm que contribuir para a melhoria da qualidade do ar. Com corredores ecológicos, zonas de emissões reduzidas".

Além disso, é preciso pensar na concentração e localização da indústria "em função do distanciamento das populações".

130 entidades juntas - A campanha nacional "Por um país com bom ar", lançada em 2019, já conta com cerca de 130 entidades parceiras, entre autarquias e associações empresariais. Objetivo é alterar comportamentos e incentivar medidas amigas do ambiente.

Sete milhões de mortes - A Organização Mundial de Saúde estima que sete milhões de pessoas morrem prematuramente por culpa da poluição do ar. As partículas de dióxido de azoto, associadas aos veículos e indústria, geram problemas respiratórios e cardiovasculares.

Portugal reduziu 4,5% - Portugal teve uma redução de 4,5% de emissões de gases com efeito de estufa entre 2017 e 2018. Os números foram reportados à Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. Nas emissões de CO2, a redução foi de 9% no mesmo período, segundo o Eurostat.

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