Anticorpos

Portugal ainda muito longe da imunidade de grupo

Portugal ainda muito longe da imunidade de grupo

Estimativa aponta para 1%, mas é necessário que 70% da população fique imune para evitar segunda vaga. Investigadores querem testes rapidamente.

As medidas de isolamento social parecem estar a produzir efeitos, mas até quando o país terá de ficar fechado em casa? À falta de resposta para esta pergunta, cada vez mais investigadores defendem a utilização de testes sorológicos, para identificar quem já produziu anticorpos para o novo coronavírus e poderá ir trabalhar sem medo de ser infetado ou contagiar outras pessoas. O presidente da República revelou, ontem, que fez o teste, mas não está imune. Só cerca de 1% dos portugueses estarão.

O JN sabe que o tema foi abordado ontem de manhã na reunião sobre a Covid-19, que juntou peritos e membros do Governo no Infarmed, em Lisboa. No encontro, terá sido referido que atingir a imunidade de grupo é uma das formas de controlar uma segunda vaga da pandemia, que pode acontecer no final do ano.

O problema é que, para se atingir tal imunidade, é necessário que cerca de 70% da população tenha os tais anticorpos, potencialmente protetores. Mas o país está ainda muito longe dessa realidade. Ao que o JN apurou, terá sido adiantado na reunião que a taxa de imunidade atual andará entre os 1% e os 1,2% e que países fortemente afetados, como a Itália e a Espanha, rondarão os 15%.

Aplicar no final de abril

Os cálculos podem ser feitos de várias formas, mas "só fazendo testes, de forma rápida e expedita, vamos conseguir saber quem teve a doença e quem não teve", nota Acácio Rodrigues, microbiologista e professor da Faculdade de Medicina do Porto, que tem um projeto para testar grupos populacionais e detetar quem tem anticorpos IGG (produzidos pelo organismo alguns dias depois da infeção e já com base no SARS-Cov-2).

O médico, também investigador do Cintesis, entende que estes testes devem começar a ser aplicados dentro de poucas semanas - "talvez no final de abril" - primeiro a grupos prioritários e são fundamentais para "começar a aliviar a reclusão forçada" da população.

No último sábado, a diretora-geral da Saúde anunciou que o país vai fazer estudos para saber qual a proporção da população que adquiriu imunidade ao novo coronavírus, estando a metodologia e a data a serem equacionadas pela comunidade científica internacional. Ontem, o JN questionou a DGS e o Instituto Ricardo Jorge sobre o tema, mas não obteve resposta em tempo útil.

Para o investigador Herlander Marques, o grande problema dos testes é a escassez. "Não se fazem porque não há", diz. O médico defende que o país deve focar os seus recursos ao nível da Biologia e indústria farmacêutica para produzir os testes e não ficar dependente de outros países.

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