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Portugal é o segundo país com maior consumo regular de canábis

Portugal é o segundo país com maior consumo regular de canábis

O Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência apresentou, esta quarta-feira, o Relatório Europeu sobre Drogas 2021: Tendências e Evoluções, que faz a última análise anual da situação da droga na Europa. Portugal é o segundo país onde mais se consome canábis de forma regular. Só em Espanha se consome mais.

Segundo o boletim estatístico daquele observatório, a prevalência de uso quase diário de canábis em Portugal é de 2,97% entre a população adulta, apenas abaixo dos 3,72% de Espanha. Isto significa que três em cada 100 portugueses consomem pelo menos 20 vezes por mês, sendo que esta percentagem ainda é maior (4,16%) no caso dos portugueses que têm entre 15 e 34 anos.

De referir que Portugal é o segundo país do ranking no que toca ao consumo regular, ou seja, de cidadãos que consomem mais de 20 vezes por mês. Na lista de países com maiores consumos totais, Portugal ocupa o oitavo lugar entre os 26 países analisados, o que significa que nos outros países se consome mais, mas não tão regularmente. Aliás, 69% dos consumidores portugueses de canábis admitem fazê-lo mais de 20 vezes por mês, ao passo que 8% consome entre 10 a 20 vezes, 12% consome quatro a nove vezes por mês e 10% de uma a três vezes.

20 mortes relacionadas com o consumo de canabinóides sintéticos

No relatório europeu sobre drogas há um alerta relativamente à crescente potência do canábis consumido na Europa, resultante de "produtos adulterados com canabinóides sintéticos" que praticamente fizeram triplicar a potência da canábis resina entre 2009 e 2020. "Qualquer cenário em que as pessoas consomem canabinóides sintéticos de forma inadvertida é preocupante devido à toxicidade dessas substâncias, como se prova pelas 20 mortes relacionadas com o consumo de canabinóides sintéticos" registadas em 2020, lê-se no relatório.

De referir que a canábis continua a ser a droga mais utilizada em toda a Europa e o seu mercado manteve-se resiliente apesar das vicissitudes da covid-19 que alteraram as rotas de distribuição devido às restrições fronteiriças. "Estou particularmente preocupada com as substâncias altamente puras e potentes disponíveis nas nossas ruas e online, e com as 46 novas drogas detetadas na UE só em 2020", disse a Comissária Europeia dos Assuntos Internos, Ylva Johansson, na apresentação do relatório.

O cultivo de canábis e a produção de drogas sintéticas na União Europeia "continuou em níveis pré-pandemia em 2020", mas observou-se "a diversificação das rotas do tráfico, com mais canábis e heroína transportada por via marítima", salienta o relatório. Isto traduziu-se em maiores apreensões de droga nas zonas portuárias, mas "não foi evidente qualquer quebra na cadeia de distribuição", acrescenta o documento.

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O diretor do observatório, Alexis Goosdeel, destaca que a Europa está "a assistir a um mercado de drogas dinâmico e adaptativo, resiliente às restrições causadas pela covid-19", com padrões de consumo mais complexos uma vez que os consumidores estão expostos "a uma gama mais vasta de substâncias naturais e sintéticas altamente potentes".

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