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Portugal só vai receber um terço das vacinas Janssen previstas para agosto

Portugal só vai receber um terço das vacinas Janssen previstas para agosto

Portugal deve receber apenas 200 mil das 600 mil doses da Janssen previstas para o mês de agosto. A informação foi avançada, esta sexta-feira, pelo coordenador do grupo de trabalho para a vacinação aos deputados da Comissão de Saúde, na qual deu ainda conta de que o país vai "enfrentar duas semanas de poucas primeiras doses".

"A preocupação continua a ser a chegada e a atribuição de vacinas. Em agosto estavam previstas chegar cerca de 600 mil vacinas da Janssen e tive a má notícia de que devem chegar cerca de 200 mil vacinas. O Ministério da Saúde tem estado a tentar compensar estas quebras com aquisições, através de parceiros que não estejam a usar algumas destas vacinas ou antecipar vacinas do quarto trimestre para o terceiro trimestre porque é agora que nos interessa ter um maior número de vacinas", explicou Gouveia e Melo.

Ainda assim, de acordo com o vice-almirante, o objetivo de ter 70% da população com vacinação completa deverá ser atingido entre 5 e 12 de setembro. Já entre 8 e 15 de agosto, 70% da população deverá estar inoculada com uma dose. Atualmente, 64% da população já tomou a primeira dose e quase metade tem o esquema vacinal completo. No seio da comunidade migrante, mais de 25 mil pessoas desfavorecidas já foram inoculadas.

Gouveia e Melo garantiu que "a percentagem de vacinação no território nacional já está muito equilibrada", sendo que há "dois pontos percentuais de diferença entre as regiões de todo o território". No entanto, o país vai enfrentar agora duas semanas com poucas primeiras doses de vacinas contra a covid-19, uma uma vez que estão a ser administradas "muitas segundas doses". Depois, a tendência vai inverter-se.

"Tenho ouvido diversas queixas de que não há vacinas por causa dos autoagendamentos. Na verdade, nós só conseguimos agendar as vacinas que existem. De facto, temos tido uma fase em que temos menos primeiras doses. Mas isso é cíclico. O ritmo das primeiras doses baixou agora, mas o ritmo das segundas doses está muito elevado. Depois, vai baixar o ritmo das segundas doses e aumentar o ritmo das primeiras doses, abrindo muito mais rápido os autoagendamentos", detalhou.

O responsável revelou ainda que a faixa etária dos 50 anos "está praticamente fechada", sendo que faltam apenas vacinar 4% das pessoas, incluindo infetados que ainda estão a recuperar. Na faixa dos 40 anos faltam 11%, na dos 30 anos faltam 25%.

"Já vacinámos cerca de 30% da faixa dos 20 anos, com os infetados são 41%, e depois iremos vacinar a faixa debaixo se a DGS assim o permitir, nomeadamente a questão dos adolescentes entre 12 e 16 anos", referiu.

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No que toca ao período de férias, Gouveia e Melo diz ser "impossível desmontar 300 centros de vacinação e concentrar uma percentagem elevada no Algarve para as pessoas tomarem a segunda dose quando estão de férias".

"O intervalo entre doses é de um mês e eu acredito que os portugueses, com as diversas formas de agendamento que têm, conseguem de alguma forma flexibilizar os seus agendamento para garantirem que conseguem tomar a segunda dose no seu local de residência", frisou.

2,5% respondeu "não" à vacina

Segundo Gouveia e Melo, 2,5% da população respondeu "não" à mensagem para agendar a vacina. Além disso, nas alturas em que houve houve mais filas para a vacinação, 2,7% faltaram à marcação. Acrescentou ainda "não há nenhum sintoma de falta de adesão ao processo de vacinação, mesmo nas faixas etárias mais novas".

"Não há qualquer preocupação, mas é preciso estar atento. É um tema importante", afirmou.

Sobre as filas para a vacinação, Gouveia e Melo revelou ainda que "7% dos centros de vacinação" têm "mais de um hora de espera".

Questionado sobre as reações adversas da vacina, o vice-almirante revelou que estão a ser recolhidos e analisados pelo Infarmed.

Profissionais de saúde "vão ter férias e descanso"

Relativamente às férias dos profissionais de saúde envolvidos no processo de vacinação, Gouveia e Melo garantiu que "nestas semanas mais calmas", em que estão a ser administradas cerca de 95 mil doses por dia, os centros de vacinação "atuam imediatamente folgando pessoal", de forma a "termos resiliência suficiente" para levar até ao fim o processo.

"As pessoas [profissionais de saúde] vão ter férias e descanso. Vamos tentar gerir isso da melhor forma possível sem prejudicar o processo", referiu o vice-almirante.

Portugal já doou 220 mil vacinas da AstraZeneca

Portugal já doou 220 mil vacinas da AstraZeneca e "estão previstas mais doações". "Julgo que já começámos a cumprir essas metas europeias", disse Gouveia e Melo, acrescentando que, neste momento, as vacinas da AstraZeneca "praticamente não têm utilidade porque a faixa dos 60 anos está praticamente toda vacinada".

"Estamos a vacinar as últimas segundas doses, portanto temos essas vacinas em excesso. Não temos em excesso as vacinas que fazem parte do plano ainda com utilidade, uma delas a Janssen", disse Gouveia Melo, recordando que o Ministério da Sáude conseguiu negociar com a Noruega 295 mil vacinas e garantindo que a Moderna e a Pfizer "têm cumprido" nas entregas.

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