Investigação

Portugal tem um "mapa de risco" da Covid-19 atualizado todos os dias

Portugal tem um "mapa de risco" da Covid-19 atualizado todos os dias

Um grupo de investigadores portugueses elaborou um mapa de risco da infeção por Covid-19 em Portugal, divulgado no início da semana e atualizado diariamente.

O mapa resulta do trabalho de uma equipa de investigadores do Centro de Recursos Naturais e Ambiente (Cerena) do Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, que se propõe a ajudar a monitorizar a evolução do número de infetados com o novo coronavírus, por concelho.

O modelo não apresenta a previsão do risco de contágio. Tendo por base os dados divulgados diariamente pela Direção-Geral da Saúde, "o que o modelo faz é transformar esses dados diários em taxas de infeção para todo o território, numa imagem de alta resolução", explica ao JN Amílcar Soares, um dos responsáveis pelo projeto. O risco de infeção surge ilustrado com cores diferentes: o vermelho representa o risco mais alto, seguindo-se as cores azul, verde e amarelo.

"Incerteza associada"

Além disso, o docente do IST, especializado em geoestatística, acrescenta que os mapas também fornecem "a incerteza a associada a esse risco". "A incerteza vem da dimensão dos municípios a nível de população: municípios muito pequenos mas com risco elevado têm uma grande incerteza enquanto municípios grandes, como Lisboa e Porto, têm um risco associado já mais consistente."

Em suma, o que se pretende saber é, "face ao numero de infetados reportados por um município, qual o risco desse município, tendo em conta a dimensão da sua ocupação".

Como a atualização é feita diariamente, depois da divulgação do relatório da DGS, "pode-se visualizar o que é que se vai passando em termos de dinâmica de determinadas regiões". Ou seja, como está a ser a evolução a nível local. "Hoje, por exemplo, novos concelhos passaram a ter dados reportados", aponta o investigador.

Pode ajudar autoridades de saúde

Além de servir como fonte de informação, a ferramenta pode ser útil para as autoridades de saúde identificarem áreas de risco e aplicarem medidas de vigilância e controlo.

"Quando entrarmos na próxima fase, em que teremos de fazer testes de imunidade, os mapas são preciosos" porque vão dar orientação sobre os locais onde se deve fazer a amostragem e, dentro desses, quem deve ser testado, explica Amílcar Soares. A cartografia, acrescenta, pode "ajudar bastante" para perceber se faz sentido avançar para um cerco sanitário numa determinada zona.

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