Saúde

Privados querem saber se ADSE paga tratamentos da Covid-19

Privados querem saber se ADSE paga tratamentos da Covid-19

A ADSE ainda não disse em que moldes irá comparticipar a assistência médica dos seus doentes de Covid-19, caso sejam tratados no privado.

A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) está preocupada e pediu esclarecimentos ao Governo. Os privados passam, a partir de agora, a diagnosticar e tratar doentes de Covid-19. As seguradoras já disseram o que pagam. A ADSE, com 1,2 milhões de beneficiários, ainda não. Até agora, os privadas eram obrigados a encaminhar os casos suspeitos para os hospitais públicos de referência.

"Lamento dizê-lo, mas a ADSE não deu qualquer informação sobre o tratamento dos seus beneficiários", afirmou, ao JN, o presidente da APHP. Óscar Gaspar explica que já formalizou o pedido de esclarecimento junto do instituto público, tutelado pelos ministérios da Administração Pública e das Finanças, mas, até agora, não obteve resposta.

"É firme a intenção e a disponibilidade dos hospitais privados de continuar a propiciar aos beneficiários da ADSE os cuidados de saúde. Neste sentido, também será importante que se clarifiquem em que termos os subsistemas públicos de saúde respondem especificamente pelos seus beneficiários", diz a missiva, enviada pela APHP, a que o JN teve acesso. No caso das seguradoras, diz a APHP, já foram esclarecidas as "coberturas".

Unidades específicas

Na sexta-feira, privados e Direção-Geral da Saúde (DGS) estiveram reunidos. A partir de agora, os doentes suspeitos de Covid-19 que se dirijam a estas unidades passam ali a ser diagnosticados e tratados. "Deixa de haver o conceito de hospital de referência que existiu até agora", adianta Óscar Gaspar, explicando que, em muitos casos, os hospitais privados estão já aptos para fazer análises (caso contrário, serão feitas no público) e a acolher os doentes, mesmo em casos de necessidade de cuidados intensivos. A ideia é "aproveitar todos os recursos disponíveis".

Os grandes grupos já estão a organizar-se e a destinar hospitais específicos: no grupo José de Mello, será a CUF Porto e a Infante Santo (Lisboa); nos Lusíadas Albufeira, Santo António (Lisboa) e Lusíadas Porto; a Luz Saúde ainda não divulgou.

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Ventiladores e camas podem reforçar SNS

No setor privado há 450 camas de cuidados intensivos e 250 ventiladores, meios que podem reforçar o SNS. O levantamento já foi entregue à DGS e a "disponibilidade para colaborar mantém-se", diz o presidente da APHP. Os privados podem receber doentes do SNS com alta clínica, mas sem alta social, fazer exames complementares ou cirurgias, libertando os hospitais do SNS. Mas, por agora, são só hipóteses.

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