Covid-19

Produção de viseiras de Leiria cobiçada por outros países

Produção de viseiras de Leiria cobiçada por outros países

A iniciativa de várias empresas de Leiria e da Marinha Grande de produzir viseiras de proteção contra a Covid-19 está a suscitar interesse lá fora.

O presidente do Politécnico de Leiria, Rui Pedrosa, revelou ao JN que algumas empresas receberam contactos da Bélgica e dos EUA a manifestar interesse em comprar toda a produção para se protegerem da pandemia que alastra pelo mundo. Contudo, a prioridade foi responder aos profissionais de todas as instituições do distrito que necessitam de equipamentos.

Rui Pedrosa assegura que esse objetivo será atingido hoje, às 10.30 horas, com a entrega de mais de quatro mil viseiras a todas as instituições ligadas à saúde, proteção civil, forças de segurança e serviços prisionais do distrito nos Bombeiros Municipais de Leiria. "Fizemos um levantamento das necessidades das entidades do distrito, de modo a chegar a todo o lado, e constatámos que eram precisas perto de seis mil."

No final de março, já tinham sido entregues, a título gratuito, 3300 viseiras fabricadas por cerca de dez empresas, sobretudo de moldes e de plásticos, da Marinha Grande e de Leiria, que responderam ao desafio de contribuírem para o combate ao coronavírus, lançado pela Nerlei - Associação Empresarial da Região de Leiria. O presidente do Politécnico de Leiria, entidade que coordena o projeto "Por Portugal, todos unidos na região de Leiria", explica que as cerca de 1300 viseiras a mais serão distribuídos pelos lares, através dos municípios.

Atingido o primeiro objetivo, Rui Pedrosa abre a possibilidade de alargar a produção de viseiras a outras zonas do país e a nível internacional, caso exista essa necessidade.

Um novo negócio?

O presidente da Nerlei, António Poças concorda que esta situação pode transformar-se numa oportunidade de negócio para as empresas entrarem no setor da saúde, sobretudo as que estão "demasiado dependentes do setor automóvel".

Preocupado com o futuro dos associados, António Poças revela que a Nerlei abriu uma conta solidária para as empresas que se queiram reconverter, devido ao impacto negativo da Covid-19. Numa semana, juntaram "dezenas de milhares de euros". Além disso, foi criado um gabinete de crise, para esclarecer dúvidas jurídicas, e estão a ser "acelerados os pedidos de reembolso dos projetos aprovados pelo PT2020", para injetar dinheiro nas tesourarias.

Aferir necessidades

O Centimfe e a Pool-Net, na Marinha Grande, estão a identificar as empresas portuguesas que estão a desenvolver produtos e a aferir a sua capacidade de produção. Diretor-geral do Centimfe, Rui Tocha explica que se pretende promover a troca de equipamentos de proteção individual, a nível europeu, após serem suprimidas as necessidades de cada país.

Para fora, mas pouco

A Iberomoldes já produziu viseiras para a Bélgica e Holanda e vai fabricar para o México, mas em pequena escala. Joaquim Menezes, CEO, revela que "produzir dispositivos médicos é um objetivo estratégico da empresa", pelo que esta fase pode ser uma oportunidade para reforçar a presença neste mercado.

Politécnico envolvido

O Politécnico de Leiria mobilizou as escolas de tecnologia, saúde e design, e um centro de investigação na luta ao coronavírus.

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