Escolas

Professores e diretores já anteveem 3.º período em casa

Professores e diretores já anteveem 3.º período em casa

"O pico do Covid-19 está previsto para maio, por isso, pode não haver terceiro período na escola e as aulas podem ter que ser dadas através de plataformas digitais", admitiu ao JN Filinto Lima, presidente da Associação de Diretores de Escolas Públicas.

A previsão de que o terceiro período - que começa em meados de abril - poderá ser passado em casa é partilhada por diversos diretores de agrupamentos que, nas atuais circunstâncias, preferem não ser identificados.

"Até ontem, estávamos a falar sobre como é que os professores podiam fazer chegar aos alunos exercícios sobre a matéria dada. Agora, já estamos a perceber como vai ser lecionada matéria nova sem a presença dos alunos em sala de aula", frisou a diretora de uma escola do Grande Porto.

A Direção-Geral de Educação (DGES) apresentou, na segunda-feira, uma nova plataforma digital, disponibilizando à comunidade educativa um conjunto de recursos "para apoiar as escolas na utilização de metodologias de ensino à distância" que lhes permitam dar continuidade aos processos de aprendizagem. O site "apoioescolas.dge.mec.pt" informa que, "brevemente, a DGE irá disponibilizar um curso sobre metodologias de ensino a distância, procurando também desta forma apoiar as escolas e os seus docentes". A nova plataforma pretende manter o contacto regular entre os professores e consolidar matéria já lecionada, mas também "desenvolver novas aprendizagens".

Ao JN, o ministro da Educação afirmou que "o ensino não presencial é uma metodologia pedagógica que tem vindo a desenvolver-se muito e existem diversas soluções com resultados educativos comprovados, com usos bastante elementares da tecnologia. Muitas escolas têm já experiência e competências para desenvolver com autonomia este tipo de soluções e os serviços do Ministério estão também a disponibilizar orientações e recursos para apoiar este trabalho".

Trabalhos por email

"A situação [de encerrar as escolas] é nova para toda a gente. Temos que recorrer à escola virtual, às videoconferências e ao envio de emails aos alunos". "Talvez tenhamos que voltar a alguns dos conceitos da telescola", frisou Filinto Lima.

O texto de apresentação da ferramenta - criada em tempo recorde por técnicos da Direção-Geral de Educação e da Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional - refere que, "numa primeira fase, todas as escolas devem manter o contacto diário com os alunos e iniciar uma dinâmica em que, gradualmente, poderão introduzir processos e ferramentas mais complexas de interação. Todas estas novas formas de aprender e de ensinar implicam uma curva de aprendizagem, tanto para os professores como para os alunos".

No primeiro dia sem presença física na escola, o balanço dos diretores é que "correu tudo bem". Em maior ou menor quantidade, os estudantes receberam via email exercícios, desafios e até jogos sobre as mais variadas disciplinas.

Depois de os resolverem, têm de os reenviar para o diretor de turma que depois os encaminhará para o professor da disciplina. Aos alunos sem acesso à Internet ou computador, o ministério recomenda "um contacto através de organizações e associações locais ou da Junta de Freguesia".

Escola virtual cresce 35% em três dias

Em três dias, as inscrições na Escola Virtual, da Porto Editora, aumentaram 35%. A ferramenta que ajuda alunos e professores existe há 15 anos e tem 200 mil utilizadores. Entre sexta-feira e domingo, houve mais 70 mil inscrições levando a Porto Editora a ter que providenciar um suporte no sistema informático. Esta é a mais conhecida plataforma de educação em Portugal, disponibilizando, por exemplo, exercícios e jogos didáticos usados por alunos e professores em todos os anos letivos. Tem ainda manuais em formato digital. Com as aulas suspensas, é lá que docentes e estudantes vão buscar exercícios. A plataforma é também usada pelos pais para pesquisar jogos e atividades didáticas para os filhos.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG