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Projeto Internacional promoveu a saúde mental nas escolas

Projeto Internacional promoveu a saúde mental nas escolas

Mais de 90% dos 1500 alunos acompanhados por um projeto de promoção da saúde mental nas escolas melhoraram a sua resiliência e os seus comportamentos. O projeto PROMEHS - Promoting Mental Health at Schools, que decorreu em sete países, desenvolveu um currículo com atividades para a promoção da saúde mental e formou 125 professores de 45 escolas portuguesas.

Os alunos do grupo experimental do projeto melhoraram "significativamente nas competências socioemocionais (...) e competências pró-sociais", lê-se nos resultados a que o JN teve acesso e que são apresentadas esta sexta-feira numa conferência na Fundação Gulbenkian, em Lisboa. Os alunos também demonstraram alterações positivas "na consciência de si, e autorregulação", assim como na diminuição significativa da "hiperatividade e no total de dificuldades".

Celeste Simões, coordenadora do PROMEHS em Portugal, contou ao JN que os professores aplicaram o currículo em sala de aula de forma coordenada com o currículo académico de cada disciplina. As atividades previstas no currículo foram executadas ao longo do ano letivo de 2020/2021, e ajudaram a sensibilizar os alunos para temas como a depressão, comportamentos agressivos, consumo de substâncias nocivas, hiperatividade, autocontrolo e dependência de videojogos, contou a coordenadora.

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Foco na prevenção

"É um currículo para ser implementado na sala de aula", que ajuda a encontrar certas situações em que os alunos refletem sobre si e exteriorizam as suas realidades, permitindo detetar "alguns casos que depois também, se não o tinham já sido antes, são encaminhados para intervenções mais seletivas, mais indicadas", com profissionais de saúde mental, disse Celeste Simões.

O manual tem 56 atividades para os alunos mais novos (1º e 2º ciclo) e 68 atividades para os mais velhos (3º ciclo) que podem ser implementadas pelos professores.

O currículo universal para a promoção da saúde mental, desenvolvido em colaboração com investigadores, decisores políticos e instituições cientificas, é dirigido a alunos com idades entre os 3 e os 18 anos e inclui um conjunto de materiais: manuais para os professores, manuais para os alunos levarem para casa e manuais para os pais com estratégias e atividades para a promoção da saúde mental no contexto escolar.

Formação para professores

Depois desta primeira etapa, a elaboração do currículo, começaram a ser efetuados contactos com autarquias e o observatório do bem estar para "elencarem um conjunto de escolas que estivessem disponíveis para se juntarem" a um período piloto. "E aí sim, depois o currículo foi testado e são esses resultados", que serão apresentados esta sexta-feira, na Gulbenkian, disse Celeste Simões.

Antes de arrancar com o projeto foi realizada uma avaliação inicial dos alunos e os professores frequentaram uma formação de 50 horas, creditada pelo Conselho Científico Pedagógico de Professores de Braga. Durante a fase piloto, que decorreu entre janeiro e junho de 2020, foi pedido aos "professores para implementarem 12 sessões do currículo junto das suas turmas", contou.

No final desse período foi realizada uma avaliação final para servir de termo de comparação com a avaliação realizada antes da implementação do programa. E aí é que se verificaram as melhorias.

Projeto internacional

A iniciativa, cofinanciada pela Comissão Europeia, envolveu sete países - , Itália, Croácia, Grécia, Letónia, Malta, Portugal e Roménia -, e decorreu entre 2019 e 2022. O projeto envolveu escolas de Viseu, Almada, Oeiras, Bragança, Vinhais, Guimarães, Penafiel, Torres Vedras, Benavente, Odemira, entre outras. O currículo desdobra-se em três temas principais - promoção da aprendizagem sócio emocional, promoção da resiliência e prevenção de problemas sociais emocionais e comportamentais.

Os resultados da implementação internacional, que envolveu "10 000 alunos, 1000 professores e 1000 encarregados de educação, apontam para uma melhoria das competências sócio emocionais dos alunos, nomeadamente ao nível da consciência de si, regulação das emoções, consciência social, competências relacionais, como a colaboração, a partilha e a ajuda; e a redução dos problemas internalizantes, como sintomas de ansiedade, e dos problemas externalizantes, como comportamentos agressivos", lê-se no documento dos resultados finais.

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