Saúde

Quebra de 40% obriga a chamar dadores de sangue por SMS

Quebra de 40% obriga a chamar dadores de sangue por SMS

Milhares de dadores estão a ser convocados por SMS porque há menos sangue disponível em Portugal, numa altura em que o consumo já está a aumentar e assim continuará.

Se, por um lado, os hospitais se preparam para retomar a atividade cirúrgica, por outro o fim do estado de emergência significará um maior número de pessoas a circular no espaço público e, por consequência, um risco mais elevado de acidentes.

De acordo com o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), o valor médio diário das reservas nacionais registou, em abril, uma quebra de 39% em relação ao período homólogo do ano passado, motivada pela redução significativa das dádivas nos últimos dois meses como consequência da pandemia.

As colheitas realizadas pelo IPST - que representam mais de metade do todo nacional - sofreram diminuições de 33% em abril e de 30% em março quando comparadas com os mesmos meses de 2019, o que levou à queda das reservas e obrigou a um reforço do apelo para dar sangue através do envio de milhares de SMS a convocar os dadores ativos. Essa é uma das medidas previstas no Plano de Contingência para a Reserva Estratégica Nacional de Sangue quando é acionado o primeiro nível de alerta, o amarelo, que se mantém desde 16 de março. Neste momento, as reservas dão para até cinco a sete dias.

"Em função da avaliação diária da situação", diz o IPST, "poderá ser ativado o nível de alerta seguinte", o laranja - ou seja, caso haja sangue disponível apenas para entre três e cinco dias e assim comprometa a atividade cirúrgica. O vermelho, o mais grave, é acionado quando as reservas só chegarem para três dias, não permitindo dar resposta aos pedidos de sangue de emergência.

As necessidades estão a aumentar: segundo o IPST, verifica-se "um crescimento sustentado do consumo" desde o fim de março, depois de uma diminuição na ordem dos 30% devido ao adiamento das intervenções programadas nos hospitais. Em contrapartida, desde 12 de abril nota-se "uma recuperação lenta" nas colheitas. Mas longe de ser suficiente.

Necessidades a aumentar

"A dádiva de sangue é especialmente necessária neste período em que, gradualmente, a atividade cirúrgica eletiva vai recomeçar. Apelamos a que todos os portugueses a façam, independentemente do género, idade [entre os 18 e os 65 anos] ou origem étnica, e a todos aqueles que, sendo saudáveis, nunca deram sangue", sublinha o instituto.

O mesmo apelo tem sido feito quer pelo Instituto Português de Oncologia do Porto, que enviou "milhares de mensagens" a convocar os dadores, quer pelas associações de todo o país que se mantêm em funcionamento. O número de colheitas também diminuiu porque "muitas associações tiveram de suspender a atividade devido à pandemia", lembra o presidente da Federação Portuguesa dos Dadores Benévolos de Sangue, Alberto Mota, dando o exemplo de Felgueiras, cuja associação contribui com cerca de três mil unidades de sangue por ano e que, desde março, não faz colheitas por imposição da Direção-Geral da Saúde.

Para a queda também contribuiu o adiamento das colheitas nas universidades e empresas, acrescenta o presidente da Federação das Associações de Dadores de Sangue, Joaquim Silva, que desafia "todos os jovens a estarem presentes nas sessões de forma mais efetiva, porque têm de perceber as necessidades do país".

Novas regras

Um dador não deve entrar no espaço de colheita se viajou nos últimos 28 dias para zonas com transmissão comunitária de covid-19, se esteve doente com febre, tosse ou falta de ar nos últimos 28 dias, se esteve em contacto com doentes potencialmente infetados com covid-19 ou se veio de uma zona que esteja de quarentena por casos de covid-19.

Só por marcação

As dádivas de sangue nos Centros de Sangue e Transplantação de Lisboa, Porto e Coimbra passaram a ser feitas apenas através de marcação prévia. De modo a garantir a segurança de todos, também os procedimentos de colheita sofreram alterações, como o distanciamento e a medição da temperatura. Os enfermeiros devem usar máscara, bata e luvas de uso único.

Risco de transmissão

Segundo o IPST, o risco de transmissão do novo coronavírus através do sangue é atualmente desconhecido, não havendo evidências da sua transmissão. Até agora, não foi reportado qualquer caso de transmissão de vírus respiratórios por transfusão ou transplantação. Os serviços de sangue dos hospitais estão a funcionar, assim como os postos fixos do IPST em Lisboa, Porto e Coimbra, agora abertos ao domingo.

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