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Rádio Estádio investiu três milhões e vai fechar por falta de dinheiro

Rádio Estádio investiu três milhões e vai fechar por falta de dinheiro

Emissora desportiva que abrira há apenas 10 meses tem salários em atraso. Em causa estão postos de trabalho de 12 jornalistas.

O projeto da Rádio Estádio, fundado em 25 de maio de 2019 por Bruno Costa Carvalho, que em tempos foi candidato à presidência do Benfica, vai fechar por dificuldades económicas, confirmou o JN junto do diretor da emissora e dos trabalhadores.

A rádio, que tem frequências no Porto e em Lisboa e transmite também na internet, emprega atualmente cerca de 12 jornalistas, incluindo o diretor, Fernando Tavares, e um diretor-adjunto, além de cerca de 30 colaboradores e comentadores, onde se integram, entre outros, Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting, Paulo Catarro, ex-jornalista da RTP, ou Gabriel Alves, antiga glória da rádio nacional.

A decisão já foi anunciada na sexta-feira à noite, 6 de março, pelo administrador Bruno Costa Carvalho aos cerca de 12 jornalistas e demais colaboradores.

Numa reunião breve que durou menos de uma hora, o administrador fez saber que o projeto acaba por dificuldades financeiras.

As receitas publicitárias estavam em queda sustentada desde o Natal. No curso dos últimos meses, apurou o JN, as dificuldades de tesouraria já se faziam sentir e a administração terá tentado atrair novos financiadores e, noutra fase, vender todo o projeto, mas essas ações não tiveram qualquer sucesso.

O JN contactou o administrador Bruno Costa Carvalho, que remeteu para segunda-feira mais explicações.

Salários em atraso desde início do ano

O investimento inicial na Rádio Estádio foi de aproximadamente três milhões de euros, incluindo a compra das duas frequências de transmissão, apurou o JN.

Desde o início de 2020 que a Rádio Estádio não paga qualquer salário. Nesta altura, a emissora acumula já dois meses de retribuições em atraso, mais os subsídios de férias e de Natal, que estão também ainda por pagar a todos os funcionários. Alguns colaboradores -- não foi possível apurar quantos -- têm mais vencimentos em atraso e outros não recebem desde outubro de 2019.

Os trabalhadores com contratos de quadro e outros com contratos a termo certo não sabem ainda como serão liquidados esses ordenados em atraso, nem como, nem quando, vão receber as suas indemnizações. Não sabem também em que condições poderão aceder ao subsídio de desemprego.

Ficou marcada para a próxima semana uma nova reunião da administração com os funcionários, mas sem dia concreto anunciado. O Sindicato de Jornalistas já foi informado da situação e deverá em breve reunir com os jornalistas.

Em piloto automático

A rádio, que emite em 89.0 FM (Porto) e em 96.2 FM (Lisboa), e no endereço de internet www.radioestadio.pt, ainda está no ar, mas trata-se de emissão em piloto automático e com recurso a produtos diferidos. Os relatos de futebol dos jogos Setúbal-Benfica e FC do Porto-Rio Ave, por exemplo, já não foram efetuados este sábado, como era habitual desde o início do campeonato.

"Era um projeto bonito, muito sonhado, inovador, um projeto diferente com uma excelente equipa, e uma equipa abnegada que trabalhou por duas", disse ao JN o diretor Fernando Tavares, que se mostrou abalado pelo fim da rádio.

"Todos nós, jornalistas e colaboradores, fizermos a nossa parte, com grande empenho e grande profissionalismo. Aqui, nada haverá a apontar. O que falhou foi evidentemente a parte comercial, porque as receitas não foram suficientes", rematou o diretor.

Fernando Tavares manifestou ainda "uma réstia de esperança na entrada de novos investidores" ou numa "venda de última hora do projeto", sendo essa "a única luz que se poderá eventualmente vislumbrar ao fundo deste túnel".

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