Relatório

Emigração estabilizou em 2019: saíram 80 mil do país

Emigração estabilizou em 2019: saíram 80 mil do país

O Reino Unido foi o país para onde emigraram mais portugueses em 2019, cerca de 25 mil das 80 mil saídas de Portugal, seguindo-se a Espanha e a Suíça, revela o Relatório da Emigração.

O Observatório da Emigração estima que, no ano passado, tenham abandonado o país cerca de cerca de 80 mil portugueses, tantos como em 2018. Os valores estabilizaram, mas estima-se que a pandemia provoque "uma descida dos fluxos migratórios globais" nos próximos tempos.

Os valores provisórios do relatório relativo ao ano passado, apresentado esta segunda-feira no Ministério dos Negócios Estrangeiros, confirmam as previsões quanto à "estabilização do volume da emigração na ordem das 80 mil pessoas" e que a saída do país continua a fazer-se sobretudo no espaço da União Europeia, afirmou Rui Pena Pires, coordenador científico do Observatório: "É possível que venhamos a ter a emigração estabilizada no patamar na ordem das 70/75 mil pessoas, com pequenas variações devidas sobretudo ao que acontece nos países de destino, muito mais do que acontece em Portugal."

É, no entanto, provável que, "com a pandemia", se assista "uma descida dos fluxos migratórios globais", sublinha. "Nos próximos anos, tudo isto vai ser alterado e vai demorar algum tempo a restabelecerem-se os fluxos normais de emigração, vamos ter um período de paragem mais ou menos prolongado", antecipa o sociólogo e professor do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa.

As estimativas do Observatório da Emigração são feitas com base nas estatísticas de entradas nos países de destino. E mostram que no Reino Unido, o país para onde emigram mais portugueses, entraram, em 2019, mais 24.593 mil, cerca de mais cinco mil do que no ano anterior, o que contraria a tendência decrescente que se verificava desde 2015. "Não é nada de estranho", observa Rui Pena Pires, "porque em situações como a do Brexit, acontece sempre nas vésperas uma tentativa de emigração de última hora."

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O Reino Unido é secundado pela Espanha, que também supera a barreira da dezena de milhar, mas não evita uma quebra (-4.5%) no número de entradas. Seguem-se, como principais destinos, a Suíça (8 mil), França (8 mil em 2018) e Alemanha (6 mil), que registam valores inferiores aos verificados em 2018. Na lista também se destaca a Holanda que, "embora com valores inferiores (cerca de 2400 entradas por ano) é o único destino importante em que a entrada de portugueses tem aumentado continuadamente nos últimos anos" - em 2019 cresceu 18,4%, tal como no Brasil (11.7%) e na Dinamarca (11.4%).

No extremo oposto estão Angola (-35.5%) e Alemanha (-19.7%), que mantêm a tendência de perda dos últimos anos, tal como a França que, ainda assim, continua a ser o país do mundo com maior número de portugueses emigrados (mais de 600 mil). É seguida por Suíça (214 mil em 2019), Reino Unido (165 mil), EUA (162 mil), Canadá (143 mil em 2016), Brasil (138 mil em 2010) e Alemanha (115 mil em 2019).

Os dados do relatório indicam ainda que a Suíça continua a ser o país onde se registam os valores mais elevados de aquisição da nacionalidade por emigrantes portugueses, apesar do decréscimo verificado no ano passado (2.816). O Reino Unido, com mais de 2 mil aquisições de nacionalidade, superou a França no segundo lugar - "uma alteração que pode ser explicada pelo Brexit", lê-se no relatório. Seguem-se os EUA (1.712 em 2019) e o Luxemburgo (1.067 em 2019).

Também presente na sessão, a secretária de Estado das Comunidades fez questão de ressalvar, tal como escreve na nota introdutória do documento, que "os indicadores do INE [Instituto Nacional de Estatística] disponibilizados no relatório assinalam, no entanto, uma ligeira descida da emigração portuguesa em 2019, indicando 77.040 saídas, menos 4.714 do que as 81.754 registadas em 2018 (-5.7%)."

Berta Nunes referiu ainda que esses dados mostram "outro indicador importante": a percentagem de nacionais que deixaram Portugal com caráter permanente (superior a um ano) continua a cair: "Em 2019, do total de portugueses que saíram do país, apenas 37% o fizeram com caráter permanente, sendo, pela primeira vez desde 2011, menos de 30 mil pessoas", sublinhou.

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