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Joacine acusa direção do Livre de "perseguição absoluta"

Joacine acusa direção do Livre de "perseguição absoluta"

"Inverdades", "manipulações" e "perseguição". O Congresso do Livre está a ser marcado por um ambiente tenso e acusações de Joacine Katar Moreira à direção do partido.

A intervenção de Joacine Katar Moreira, que não tinha confirmado presença no congresso do partido, foi longa e com alvos bem definidos. A deputada do Livre dirigiu várias acusações ao Grupo de Contacto e à Assembleia do partido, em particular às considerações do relatório que estão na base da proposta de resolução para a retirada de confiança política.

"A desunião não é uma anormalidade", começou por dizer. "Isto é a normalidade democrática". Porém, Joacine não se ficou pelas meias palavras e dirigiu acusações para dentro do próprio partido. "No entanto, sem ética nunca estaremos numa verdadeira normalidade democrática".

A deputada eleita pelo círculo de Lisboa, no passado dia 6 de outubro de 2019, considera que o relatório do Grupo de Contacto sobre a sua prestação na Assembleia da República assenta em "algumas mentiras, manipulações, inverdades e omissões" e podia "ser facilmente rebatido"."O relatório fere a minha honra", acrescentou.

Numa intervenção com poucas palmas da plateia, Joacine comentou ainda a posição do partido sobre o Orçamento de Estado de 2020. Segundo a deputada, o Grupo de Contacto terá informado a comunicação social da abstenção do Livre, ainda antes de Joacine refletir sobre o documento. "Sou confrontada com a restrição da minha liberdade de escolha".

O alegado desacordo sobre a constituição do seu gabinete de imprensa não ficou de fora das acusações de Joacine. "São pessoas que subscreveram os nossos ideais", defendeu-se. "A minha consciência está tranquila. Não houve falha no cumprimento dos ideais do partido nas intervenções na Assembleia", concluiu na primeira intervenção no congresso.

Numa segunda intervenção aos militantes, Joacine Katar Moreira subiu o tom de voz e mostrou-se mais exaltada. "Tenham vergonha", disse a reação à intervenção anterior de um membro da direção do Livre. "Isto é uma perseguição absoluta. Como ousam dizer que fui desleal, que não ouvi as pessoas?"

A deputada rejeitou mais uma vez que tenha dito que foi eleita sozinha nas votações das legislativas a 6 de outubro. "Não vou renunciar para que as pessoas não se sintam defraudadas", justificou, interrompida com apelos à calma de outros membros do Livre. "Elegeram uma mulher que gagueja, uma mulher negra e que deu jeito para a subvenção", acusou. "Usam o ódio de que fui alvo para me tentarem afastar".

Antes, Patrícia Robalo, membro da Assembleia do Livre acusou Joacine de "reiteradamente não ter disponibilidade de se articular" com os órgãos do partido."As nossas expectativas não se resumem à entrega de poder a quem quer que seja", acrescentou.

Ricardo Sá Fernandes fala em "suicídio" do partido

O membro do Conselho de Jurisdição do Livre afirmou este sábado à entrada do congresso do partido que "a divergência entre o Grupo de Contacto e Joacine são pequenos problemas". Minutos depois, Joacine Katar Moreira informava estar "fora de questão" renunciar ao mandato de deputada.

"Lamento esta rutura", começou por dizer o advogado à entrada do congresso do Livre, este sábado de manhã, em Lisboa. O membro do Conselho de Jurisdição do partido, que está contra a resolução da Assembleia para retirar confiança política a Joacine Katar Moreira, não deu ênfase às divergências dos últimos meses entre a deputada e o Grupo de Contacto e disse querer evitar o "suicídio do partido".

"Quantas vezes temos ruturas com pessoas e depois não percebemos? Foi por isto que estivemos zangados?", perguntou retoricamente Sá Fernandes. O advogado reconheceu ainda assim que houve "falta de maturidade política", mas que tal "não é suficiente para retirar confiança política".

Ricardo Sá Fernandes reafirmou a importância de não fragilizar o partido ou defraudar as expectativas dos eleitores que votaram no Livre nas eleições legislativas, no passado dia 6 de outubro de 2019. "Houve 60 mil pessoas que votaram no partido e estão profundamente desiludidas", disse.

O congresso do partido realiza-se este sábado e domingo no Centro Cívico Edmundo Pedro, em Alvalade, Lisboa. Em cima da mesa está proposta da Assembleia do Livre para retirar confiança política a Joacine, eleita pelo círculo de Lisboa nas eleições legislativas.

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