Belém

Rio anuncia que PSD vai votar contra Orçamento

Rio anuncia que PSD vai votar contra Orçamento

O líder do PSD, Rui Rio, anunciou, esta sexta-feira, que vai propor à direção nacional o voto contra do partido no Orçamento do Estado para 2022.

"Já vimos o suficiente do orçamento para propor à direção nacional o voto contra", afirmou, à saída de uma audiência com o Presidente da República, em Belém, na qual esteve acompanhado pelo vice-presidente Nuno Morais Sarmento, pelo secretário-geral José Silvano e pelo presidente do Conselho Estratégico Nacional, Joaquim Sarmento.

Como justificação, Rio apontou, por um lado, que se trata de "um orçamento de continuidade que não tem uma estratégia de longo prazo" e considerou que pode ficar ainda pior com as negociações à esquerda. "Pior, muito pior, é aquilo que se ouve como revindicações do PCP e do BE. No caso do PCP, pede mexidas na legislação laboral, quando precisamos de apoiar as empresas, o emprego, o investimento", afirmou.

Rio considerou que, se além da influência que já tem no Orçamento, o PCP também a tiver noutras áreas da governação, o país terá "um Governo socialista de forte influência comunista". "Já quase que não é uma geringonça, só falta ter ministros lá dentro também (...) Aí o PS opta por governar com o PCP na sua plenitude para se segurar de qualquer maneira o Governo e se a economia anda ou não anda logo se vê, vai navegando à vista. Ou vai navegando à Costa", ironizou.

Questionado porque é que optou por anunciar hoje em Belém o voto contra - depois de receber críticas por não o ter feito na quinta-feira na reunião do grupo parlamentar -, Rio respondeu com outra pergunta. "Se calhar porque eu ontem de manhã estava a estudar o orçamento, quem lhe diz que eu não estava ontem de manhã na sede a estudar o orçamento?", questionou.

Sobre o conteúdo do documento, Rio apontou falta de apoio para as empresas e lamentou a ausência de uma solução para aliviar a carga fiscal sobre os combustíveis. Por outro lado, criticou que o Governo não tenha aproveitado uma proposta do PSD para que o IVA da restauração baixasse para taxa mínima durante os dois anos e a inclusão de mais verbas para a TAP. "A TAP é agora o Novo Banco, de cada vez que há um Orçamento vêm mais mil milhões para a TAP", apontou.

50% de probabilidades de haver crise política

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Rio considerou haver 50% de probabilidades de existir uma crise política causada pelo chumbo do Orçamento, reiterando a preocupação por o PSD ter avançado com a marcação de diretas e Congresso.

"Não tenho uma convicção profunda, se me pergunta probabilidades, direi 50/50. Não fico admirado se houver uma crise política e o PS resistir a estas fortíssimas exigências do PCP, mas também não fico admirado se o PS, para segurar no poder este Governo, resolver ceder ao Partido Comunista. Olhe, se pergunta a minha convicção, é 50% para cada lado", disse, quando questionado sobre se está convencido de que haverá legislativas antecipadas.

Questionado sobre se lhe parece preferível um orçamento ainda mais negociado à esquerda - que criticou - ou uma crise política, o líder do PSD remeteu para o PS a "habilidade" de negociar o documento "sem o degradar ainda mais". "Para o futuro do país, no enquadramento em que estamos, preferível é, do mal o menos, que não estraguem ainda mais a despesa e o défice", disse.

Rio admitiu ter falado com o Presidente da República sobre as decisões do Conselho Nacional do PSD desta madrugada, que reprovou a proposta da direção para suspender o calendário eleitoral interno até à votação do Orçamento e marcou já diretas para 4 de dezembro e congresso para janeiro. "É evidente que eu fico muito preocupado que o Conselho Nacional tenha decidido o que decidiu, quando isso pode chocar com uma crise política, leia-se, eleições legislativas antecipadas", afirmou, reiterando as preocupações que já tinha exprimido esta madrugada no final da reunião.

Sobre se falou quanto ao seu futuro político com Marcelo Rebelo de Sousa - Rio ainda não disse se será ou não recandidato à liderança do PSD -, riu-se e disse não ser Belém o sítio para tratar uma matéria "exclusivamente interna".

O Presidente da República recebe, esta sexta-feira, todos os partidos com representação parlamentar para audiências, na sequência da apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2022, e "no contexto dos habituais encontros periódicos".

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