Sondagem

Rio ganha vantagem sobre Costa a uma semana das eleições

Rio ganha vantagem sobre Costa a uma semana das eleições

PSD e PS estão praticamente empatados, mas, a menos de uma semana das eleições, a vantagem é de Rui Rio (34,4%), que leva seis décimas de avanço sobre António Costa (33,8%), de acordo com uma sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF. Mas há outra mudança significativa: a Direita (46,8%) soma pela primeira vez mais do que a Esquerda (46,3%), com o PAN a revelar-se, nesta altura, o fiel da balança (3,2%).

Duas semanas bastaram para que se operasse uma reviravolta na frente da corrida. Os socialistas, recorde-se, tinham uma vantagem de quase dez pontos percentuais nos dias anteriores ao arranque oficial da campanha eleitoral.

No entanto, e depois do frente a frente televisivo entre Rui Rio e António Costa (visto em direto por mais de três milhões de pessoas) e de uma semana de campanha nas ruas (que parece ter corrido melhor a Rui Rio), a diferença desfez-se, com o PS a cair um pouco mais de quatro pontos percentuais e o PSD a subir quase seis pontos, chegando pela primeira vez à liderança.

Empate técnico

O trabalho de campo decorreu entre 16 e 21 de janeiro, ou seja, a projeção de resultados faz o ponto de situação até à sexta-feira passada e não pretende adivinhar o que se vai passar no próximo dia 30 de janeiro. É importante ter também em conta que a sondagem tem o equivalente a uma "margem de erro" de 3,15%. O que significa que estamos perante um empate técnico. Mas, se tudo pode acontecer nos dias que ainda faltam para a ida às urnas, um ponto é indesmentível: o momento é de Rui Rio. Se o líder social-democrata conseguir manter esta tendência por mais alguns dias, será o próximo primeiro-ministro de Portugal.

Este "volte-face" na liderança tem correspondência com o que se passou ao nível dos dois blocos políticos dominantes. Porque é igualmente a primeira vez que o conjunto de partidos mais à Direita (incluindo o Chega) ultrapassa a soma das forças mais à Esquerda (incluindo o Livre) nesta série de barómetros da Aximage

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Contas à Direita

São, no entanto, apenas cinco décimas de vantagem e com uma relação de forças que ameaça complicar as contas de Rui Rio: os partidos a que estendeu a passadeira de um futuro Governo, CDS (1,6%) e IL (2,8%), revelam nesta altura grande fragilidade. Os centristas estão em sério risco de ficarem reduzidos a um único deputado, eleito em Lisboa, enquanto os liberais continuam a perder fôlego, e cada vez mais longe de eleger fora da capital, talvez vitimados pelo apelo do voto útil nos sociais-democratas, que até se poderá acentuar com o empate técnico no topo.

Neste momento, o partido mais forte à Direita do PSD é o Chega que, apesar de acusar algum desgaste, consegue manter-se no terceiro lugar (8%). Os radicais de Direita, que Rui Rio já disse não aceitar num Governo, continuam a ser o partido que mais cresce relativamente às legislativas de 2019 (quase sete pontos percentuais). O partido mantém-se particularmente forte na Área Metropolitana de Lisboa e no Norte e consegue também um bom resultado na região do Porto, que costuma ser um dos seus pontos fracos.

Contas à Esquerda

À Esquerda do espetro político só há maus indícios. A crise política causada pelo chumbo do Orçamento originou apenas contas de subtrair entre os antigos parceiros da geringonça. O PS até consegue captar uma parte importante do eleitorado bloquista e comunista, mas o que ganha não compensa as perdas para o PSD. Isso é particularmente evidente em dois dos mais relevantes segmentos da amostra: as mulheres (trocaram Costa por Rio) e os eleitores com 65 ou mais anos (a enorme vantagem socialista transformou-se num empate).

O resultado das subtrações é que o PS está pela primeira vez abaixo do que conseguiu nas últimas legislativas (mas ainda um ponto acima de 2015). Quanto ao BE, regista o pior resultado de sempre desta série de barómetros (6,6%), três pontos abaixo das eleições de 2019 e comparável ao que conseguiu em 2005, quando José Sócrates conquistou a única maioria absoluta socialista. Mas consegue, ainda assim, manter o terceiro lugar no Porto e na região Centro.

No caso da CDU, é igualmente o pior resultado de sucessivos barómetros (4,5%) e ficaria quase dois pontos abaixo das últimas eleições, que já tinham sido as piores de sempre para os comunistas, sendo cada vez mais evidente a dependência de Lisboa e da região Sul do país para eleger deputados. O Livre está num patamar inferior, mas tem hipótese de eleger um deputado em Lisboa e, a manter-se a tendência atual, também no Porto.

76% Há cada vez mais eleitores que não acreditam na hipótese de uma maioria absoluta. Quanto ao número de crentes desceu para os 14%. Entre os que acreditam, destacam-se os que votam no PS (22%).

57% Estão ainda em clara maioria os que adivinham uma vitória do PS nas legislativas. Apenas 22% apontam ao PSD. É uma evidência que o resultado seria muito diferente se a pergunta fosse feita hoje.

Maioria absoluta

A maioria absoluta deixou de ser a solução política mais referida pelos portugueses. Há duas semanas, ainda era apontada como a melhor por 25% dos inquiridos, mas cai agora para os 22%. Os maiores entusiastas são os socialistas (42%). Nos restantes segmentos partidários fica sempre abaixo da média.

Coligação de Direita

Ao contrário, a solução de uma coligação de Direita está em crescendo, conseguindo os mesmos 22% (mais três pontos do que na semana anterior). É a fórmula de governabilidade preferida dos eleitores sociais-democratas (43%), mas também dos que votam na Iniciativa Liberal e no Chega.

Coligação de Esquerda

A hipótese de o país ser governado por uma coligação à Esquerda está a perder gás, refletindo afinal a nova distribuição de intenções de voto: são agora 21% (menos três pontos percentuais). Sem surpresa, é a solução preferida entre eleitores bloquistas e comunistas.

Minoria ou "centrão"

Foi uma das soluções apontadas por António Costa, mas um Governo minoritário com alianças pontuais ("à Guterres") só convence 10% dos eleitores. Ainda menos entusiasmo merece a hipótese de um bloco central (7%), ainda que no caso dos eleitores do PSD chegue aos 17%.

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