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Rio: "Não há qualquer hipótese de um bloco central"

Rio: "Não há qualquer hipótese de um bloco central"

Rui Rio garantiu, esta sexta-feira, que com a sua liderança não haverá "ruturas desnecessárias" no partido mas antes "uma evolução em harmonia". No congresso que valida a vitória nas diretas, o novo presidente do PSD deixou ainda a garantia que não dará a mão ao PS. "Não há qualquer hipótese", assegurou.

"Comigo à frente do partido, iremos sempre fazer uma evolução em harmonia com a nossa história, sem ferir os nossos princípios de sempre, sem confrontos geracionais, sem sobressaltos ideológicos e sem ruturas desnecessárias", disse Rui Rio, perante cerca de mil delegados ao 37º. congresso social-democrata, no Centro de Congressos de Lisboa.

Após receber de Passos Coelho o testemunho nesta noite de entronização, Rio começou por dizer do seu antecessor que "o que ficará destes seus oito anos à frente do nosso partido, não serão as críticas que, em qualquer circunstância, o exercício deste cargo sempre teve e terá". "Fica um trabalho de governação que a história reterá como de salvação nacional", admitiu, reconhecendo também a "militância ativa e empenhada" que Pedro Santana Lopes mostrou nas eleições diretas de 13 de janeiro.

Para o ex-presidente da Câmara do Porto, que começou a ler o discurso às 22.04 horas, o PSD deverá "resistir sempre ao discurso fácil e politicamente correto", apesar de os tempos serem outros - longe da fundação do partido - e as respostas que se exigem aos social-democratas serem exigentes.

Já antes, numa clara mensagem para as fileiras laranja, Rio salientou que no passado recente "houve quem falhasse, houve quem se tivesse afastado dos valores éticos que todos professamos, mas não podemos confundir a árvore com a floresta".

Rio, que conseguiu eleger diretamente para este conclave 356 delegados, contra os 348 de Pedro Santana Lopes, virou-se depois as baterias para o atual Governo, defendendo que "não aproveita um ciclo económico positivo para robustecer o futuro e preparar o país para os ciclos negativos". "É um Governo que governa mal. Governa mal, mesmo quando pode parecer que governa bem", acusou, questionando porque motivo o investimento da Google em Portugal não rumou a "uma zona interior do país".

"Não sei se, no caso concreto deste investimento estrangeiro, estamos perante uma política patriótica e de Esquerda ou se de uma cedência ao grande capital. Só sei, isso sim, que estamos perante uma oportunidade que deveríamos ter tentado aproveitar para ajudar ao reequilíbrio territorial do nosso país", argumentou.

O presidente eleito do PSD, que traz a este congresso uma moção que pretende reposicionar o partido no centro político, apontou que o caminho para os social-democratas não vai ser fácil nos próximos tempos. Porém, não é homem de atirar a virar a cara à luta: "Não temos, perante esta realidade, o direito à passividade. Não podemos ficar de braços cruzados, porque a hora não é de deitar a toalha ao chão. A hora é de agir".

E apontou que parte da estratégia passa pela abertura do PSD à sociedade civil. "Temos de substituir, por exemplo, os vetos de gaveta à entrada de novos militantes por medo de se poder a pequena influência local", disse, de modo a que haja uma "entrada livre de todos os portugueses, que se revendo nos nossos princípios ideológicos se se situando no centro do espectro político nacional, pretendem militar" no partido.

Rio, que discursou quase 45 minutos, apontou ao congresso que, sob sua liderança, "não há qualquer hipótese de um bloco central". Depois de ter sido acusado pela candidatura de Santana Lopes, durante a campanha para as diretas, de poder vir a dar a mão a António Costa, o novo presidente do PSD disse que apenas está disponível "para dialogar democraticamente com os outros". Mas que qualquer reedição de um centrão com socialistas está fora de questão. "Perdem tempo com o que não existe nem existirá", assegurou.

Todavia, o ex-autarca portuense, salientou que é necessário que o partido volte a ser a maior força autárquica. "Todas [as eleições] são importantes mas, em face da evolução que temos tido desde 2005, entendo que o PSD deve iniciar, desde já, a sua preparação para as próximas eleições autárquicas de 2021, de forma a reconduzir o nosso partido à liderança que foi seu apanágio durante tanto tempo", frisou.

Rui Rio frisou também quais as reformas prementes que defende para o país: uma mudança do sistema político, uma reforma da Justiça, que dê "mais celeridade, mais meios e melhor gestão" do setor e a prioridade à reforma do Estado, que considerou "uma tarefa gigantesca".