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Rio: "Podemos concluir que Centeno está a prazo"

Rio: "Podemos concluir que Centeno está a prazo"

O líder do PSD pediu a António Costa garantias de que Mário Centeno vai ficar no Governo até ao fim da legislatura, mas o primeiro-ministro não lhas deu. Rui Rio conclui, por isso, que o ministro das Finanças não vai integrar o Executivo durante muito mais tempo.

"[O primeiro-ministro] pura e simplesmente não respondeu à minha pergunta, portanto acho que podemos tirar a ilação de que o ministro das Finanças está a prazo. Ou seja, vai estar uns meses no Governo, mas não vai estar muito tempo", disse Rui Rio aos jornalistas, após a interrupção do debate do programa do Governo para a pausa de almoço.

Sobre o compromisso assumido pelo Governo de aumentar até aos 750 euros durante os próximos quatro anos, Rio foi cauteloso: "A nossa proposta era aumentar até aos 700 euros. Nós não íamos tão longe e, mesmo assim, já íamos para lá dos ganhos de produtividade e inflação. Já estávamos a forçar mais um bocado, e eu entendo que se deve forçar. Se as projeções económicas derem os ganhos de produtividade que estão projetados, os 750€ [até 2023] são um bocado arrojados. Mas se, em sede de concertação social, as partes todas se entenderem, por mim tudo bem. Sei que 750€ é pouco dinheiro", concluiu.

"Populismo? Não é o meu estilo"

Rio abordou também a polémica da concessão da exploração de lítio em Montalegre a uma empresa com ligações a membros do Governo, dizendo que, "para já", o PSD não pondera convocar uma Comissão de Inquérito. Ainda assim, acrescentou, "fazer umas audiências parlamentares parece-me mais do que adequado, porque o tema merece". Entre as pessoas que o PSD irá ponderar chamar ao Parlamento no âmbito desse caso está João Galamba, secretário de Estado Adjunto e da Energia, revelou Rui Rio.

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Da parte da manhã, Rio foi particularmente crítico desse processo. A resposta de António Costa foi acusar o líder da oposição de estar a fazer "julgamentos de tabacaria", recorrendo a uma expressão que o atual presidente do PSD celebrizou. Instado a comentar esse episódio, Rio lembrou os jornalistas de que "estamos no plenário da Assembleia da República e a notícia existe. Se isto fosse considerado um julgamento de tabacaria, os deputados não poderiam abrir a boca". E haverá alguma dose de populismo nestas acusações de Rio? "Nenhum", retorquiu o líder social-democrata. "Esse não é o meu estilo".

O Governo "mais caro" e a falta de tempo

No debate, Rui Rio acusou também Costa de ter formado um Governo que custa 50 milhões de euros aos portugueses. Já cá fora, o líder do PSD mostrou-se surpreendido pela falta de resposta do primeiro-ministro a essa questão, embora tenha relativizado o facto de Costa o ter acusado de estar a "estagiar para ser comentador televisivo". "[O primeiro-ministro] disse o que lhe apeteceu, mas não teve justificação para o facto de ter o Governo mais caro e maior de toda a História de Portugal. Pensei que me ia dizer: "sim, é o maior e o mais caro, mas tem esta vantagem, aquela e a outra". Mas não disse vantagem nenhuma".

Rui voltou ainda a mostrar desagrado pelo pouco tempo que os partidos tiveram para analisar o programa do Governo. "Não estou a dizer que o Governo tem de nos dar 20 dias [para ler o programa], não pode é só dar dois. Isso não permite dar profundidade ao debate. Estou habituado a fazer as coisas bem e não assim-assim, e espero que o Parlamento não volte a repetir isto".

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