Cordão sanitário

Rui Moreira contra cerco no Porto. Graça Freitas sem "autoridade"

Rui Moreira contra cerco no Porto. Graça Freitas sem "autoridade"

O presidente da Câmara do Porto é totalmente contra a criação de um cerco sanitário na cidade. Rui Moreira não foi ouvido por nenhum organismo de saúde nem por Graça Freitas, a quem não reconhece "autoridade nem competência para tomar uma decisão destas, que só lança o pânico na população".

Depois de a diretora-geral da Saúde ter admitido, na conferência de imprensa desta segunda-feira, a possibilidade de instaurar um cordão sanitário na cidade do Porto, remetendo uma decisão para o dia de hoje, o autarca portuense manifestou-se contra a criação de um cerco, considerando que "a decisão não pode ser determinada sem ouvir os responsáveis políticos e civis". "Nem sequer foi contactado o responsável distrital pela Proteção Civil [Marco Martins, presidente da Câmara de Gondomar]", apontou.

"O cerco sanitário só fazia sentido se a infeção estivesse concentrada num determinado ponto do país. Ora, neste momento, a situação está disseminada por todo o território e não há vantagens em pôr o cerco, só inconvenientes, desde o abastecimento à própria limpeza da cidade", concluiu.

Durante a conferência de imprensa, quando questionada sobre a eventualidade de o Porto e a área metropolitana poderem estar a ser esquecidos do plano nacional de contenção (por não serem abrangidos pela nova iniciativa do Governo de testar idosos de lares), Graça Freitas disse que "o Porto, neste momento, do ponto de vista dos meios materiais e humanos que precisa, tem estado a receber todo o apoio nacional". Sobre o "cordão sanitário, está neste momento [em decisão] e deverá hoje ser tomada uma decisão nesse sentido", adiantou.

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Entretanto, em comunicado, a Câmara considerou a referência de Graça Freitas "inopinada", "extemporânea", "absurda" e "inútil", "num momento em que a epidemia de Covid-19 se encontra generalizada na comunidade em toda a região e país". A medida, lê-se, não foi pedida nem pela Câmara do Porto, nem pela Proteção Civil do Porto, nem pela Proteção Civil Distrital. "Nenhuma destas instituições e nenhum dos seus responsáveis, incluindo o presidente da Câmara do Porto foi contactado, avisado ou consultado pela Direção Geral da Saúde", acrescenta a nota.

Marco Martins confirma que não foi consultado

Contactado pelo JN, o presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil do Porto, Marco Martins, afirmou não ter sido ainda consultado sobre o cordão sanitário e lembrou que colocou a questão na semana passada à Autoridade Regional de Saúde, designadamente para os concelhos da Maia, Gaia, Valongo, Gondomar e Matosinhos.

"Foi-me dito pela Autoridade de Saúde que a cerca não seria eficaz", recordou o autarca de Gondomar. "Neste momento, não tenho mais informação. Só sei o que ouvi, na televisão, da diretora-geral da Saúde. Oficialmente, não tenho conhecimento de nada", disse.

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