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Santos Silva: "Evitar o discurso de ódio faz parte da minha função"

Santos Silva: "Evitar o discurso de ódio faz parte da minha função"

O presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, justificou a intervenção desta quinta-feira no Parlamento após o deputado do Chega, André Ventura, ter atacado estrangeiros e migrantes. Questionado sobre o futuro político, não descartou entrar na corrida a Belém.

"Evitar o discurso de ódio na Assembleia da República faz parte da minha função", frisou em entrevista à RTP2, acrescentando que assim o fará "sempre que necessário" independentemente do partido em causa.

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros lembrou que "os deputados do Chega estão na Assembleia porque o povo os elegeu", como tal, comprometeu-se a ouvi-los sempre desde que as intervenções dos parlamentares "respeitem os princípios da casa da democracia", o que, na perspetiva de Santos Silva, não terá acontecido, acusando André Ventura de direcionar comentários xenófobos a estrangeiros e migrantes.

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Questionado sobre o facto de o Chega ter informado que ia apresentar uma moção de censura contra si, Santos Silva garantiu: "Não me incomoda nada".

O antigo governante socialista fez ainda um balanço dos últimos meses e disse que "tem sido muito gratificante ser presidente da AR", embora admita que Portugal está mergulhado numa crise que é consequência "da guerra na Ucrânia". No entanto, ressalvou o trabalho que o Governo de António Costa tem feito para dar resposta aos problemas. "A taxa de desemprego está em valores muito baixos", sublinhou, aproveitando ainda para deixar uma mensagem a Rui Rio, ex-presidente do PSD, saudando-o pelo trabalho como líder da oposição. "Os portugueses deviam agradecer-lhe", rematou.

Santos Silva foi também questionado sobre o futuro político e o cenário de uma eventual candidatura à Presidência da República, mas não excluiu nenhuma possibilidade.

"Não rejeito nada em absoluto, porque se o fizesse não tinha procurado servir o meu país onde era necessário e entendido como mais útil. Seria desrespeitoso dizer mais do que isto; desrespeitoso para os deputados e para o atual Presidente da República, que está na primeira metade do seu mandato e com o mérito que os portugueses lhe reconhecem. Lá para 2025 falaremos das presidenciais. Entretanto, vamos trabalhando em conjunto", resumiu.

Na tarde desta quinta-feira, os deputados do Chega abandonaram o plenário depois de acusarem o presidente da Assembleia da República de não ser imparcial no exercício das suas funções.

O episódio ocorreu quando os deputados debatiam o novo regime jurídico para estrangeiros em Portugal, que acabou aprovado sem os votos do Chega.

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