Educação

Secretário de Estado quer pôr escolas a ouvir os alunos

Secretário de Estado quer pôr escolas a ouvir os alunos

O secretário de Estado da Educação, João Costa, defendeu esta segunda-feira que se deve pôr toda a escola a ouvir os alunos, porque "eles sabem melhor do que ninguém como se sentem".

A afirmação foi proferida no seminário online "Psicologia da Educação: Bem-estar e Sucesso Educativo", promovido pela Direção-Geral da Educação e pela Ordem dos Psicólogos Portugueses.

João Costa considerou fundamental que no regresso às aulas, que tiveram início esta segunda-feira para o Pré-Escolar e para o 1.º Ciclo, e na planificação dos próximos anos letivos não se oiçam apenas os psicólogos, pois não são os únicos responsáveis pelo bem-estar dos alunos. "É importante ouvir a voz dos alunos, ouvi-los muito e pôr toda a escola a ouvi-los", explicou.

Desenvolver programas em contexto escolar centrados no Plano Nacional das Artes e no Plano Nacional do Cinema foi outra das recomendações deixadas pelo governante, que participou no painel "Políticas Públicas e Educação". "É um caminho que temos vindo a seguir e que importa acompanhar."

Competências prejudicadas

"A área que mais me tem preocupado é a educação Pré-Escolar, porque é o grande preditor do que vem a seguir", revelou João Costa. "Há competências sociais e pessoais que só se desenvolvem em contexto de grupo e que foram prejudicadas", assumiu. "Daí a nossa preocupação com a retoma das aulas."

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Quanto à recuperação das aprendizagens afetadas pelos confinamentos, o secretário de Estado disse que "despejar mais aulas em cima dos alunos é contraproducente". Embora sem ter dados concretos sobre o impacto da pandemia, assegura que "os alunos em situação mais vulnerável ficaram ainda mais vulneráveis".

"Durante o verão, há sempre uma regressão nas aprendizagens, que chega a ser o dobro nos alunos com um nível socioeconómico mais baixo", exemplificou João Costa. Acredita, por isso, que se se projetar esta situação nos confinamentos se irá constatar que houve um acentuar das desigualdades. "Temos de saber o que foi perdido e rever o que não pode mesmo ficar para trás."

Para apurar com mais precisão os reflexos da pandemia nas aprendizagens, o Ministério da Educação fez um estudo, com base numa amostra, vai usar instrumentos de aferição, e ouvir as escolas, os professores e os psicólogos. Segundo o governante, a contratação destes técnicos especializados foi solicitada por cerca de 35% das escolas.

Embora reconheça a importância dos psicólogos, João Costa sublinhou que toda a comunidade educativa se deve envolver nesta tarefa. "O bem-estar dos alunos é feito de equilíbrios e é fundamental a intervenção comunitária para conseguirmos ir mais longe."

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