Polémica

Sindicato repudia insulto de Costa aos médicos e exige respeito

Sindicato repudia insulto de Costa aos médicos e exige respeito

O Sindicato Independente dos Médicos repudia o insulto do primeiro-ministro, que num vídeo que está a circular nas redes sociais chama "cobardes" aos médicos por causa do surto de Reguengos de Monsaraz.

"Lamentamos, reprovamos e repudiamos em absoluto as palavras de Vossa Excelência. Os médicos merecem e exigem respeito, muito mais partindo do chefe de Governo", pode ler-se no comunicado, publicado no site do Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

Em causa está um pequeno vídeo, de sete segundos, divulgado nas redes sociais, que mostra António Costa numa conversa informal com os jornalistas do Expresso que o entrevistaram para a edição de sábado, chamando "cobardes" aos médicos envolvidos no caso do surto de covid-19 em Reguengos de Monsaraz.

O Expresso já repudiou, numa nota da Direção, a divulgação desse vídeo. "Os sete segundos do vídeo ilegal descontextualizam quer a entrevista, quer a conversa que o primeiro-ministro teve com o Expresso", refere a nota, acrescentando que o jornal "desencadeará, de imediato, os procedimentos internos e externos para apurar o que aconteceu e os responsáveis pelo sucedido".

No texto, com o título "Os médicos, esses gajos cobardes...segundo António Costa", o SIM diz que "os médicos do SNS [Serviço Nacional de Saúde] são médicos do SNS, não são médicos em lares, nem para protegerem as costas a amigos políticos seja de que cor forem".

Acrescenta que "a determinação da ARS Alentejo de alocar ao lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva equipas de médicos do Agrupamento de Centros de Saúde Alentejo Central e do Hospital Espírito Santo de Évora estava ferida de ilegalidade face às convenções coletivas de trabalho".

"Ainda assim e apesar disso, médicos da Unidade de Saúde Familiar Remo deslocaram-se ao lar nos dias imediatamente seguintes ao diagnóstico do primeiro caso para a prestação de cuidados de saúde, apesar também das más condições de que dispunham e apesar dos poucos equipamentos de proteção individual de que dispunham, cedidos pela Unidade de Saúde Familiar, trabalhando 14 a 16 horas por dia", refere o comunicado do SIM.

O sindicato realça que alertou desde cedo "para as parcas condições sanitárias e a falta de segurança na realização dos atos médicos necessários" e que, por isso, sugeriu ao Governo, em 2 de julho 2020, a colaboração das Forças Armadas. E que "alertou para a necessidade de a Segurança Social exercer as suas competências e assumir as suas responsabilidades com os lares".

O comunicado refere ainda que "os doentes têm direito a cuidados de saúde de qualidade" e "os médicos têm direito a exigir condições técnicas de exercício para poderem cumprir com as 'legis artes', tendo direito também ao cumprimento da Lei por parte da entidade empregadora. E foi isso que acabaram por fazer quando viram que as gravíssimas condições dos utentes do lar se perpetuavam e agravavam".

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