Saúde

Taxa de tuberculose em Portugal é a terceira mais alta da Europa

Taxa de tuberculose em Portugal é a terceira mais alta da Europa

Pior do que o nosso país, só a Roménia e a Lituânia. De acordo com o último relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), em 2018, Portugal tinha a terceira mais alta taxa de tuberculose da Europa.

Sendo que acima dos 64 anos de idade, era 2,5 vezes superior à média europeia. Elevada é também a taxa de mortalidade, com os óbitos por aquela doença a aumentarem 20%, para um total de 226. E a tendência, com a pandemia, é para piorar [ler página ao lado].

Os dados do ECDC apontam mesmo para uma inversão da tendência de descida iniciada em 2015, com uma subida da taxa de notificação, com mais de 20 casos por cem mil habitantes. Ao JN, a diretora do Programa Nacional para a Tuberculose frisa que o "aumento não é real" e que se deve ao facto de a metodologia usada em 2018 ser diferente da adotada em 2017 [ler ficha]. Mantendo-se, garante, uma curva descendente.

Segundo Isabel Carvalho, no ano em análise, Portugal registou uma taxa de notificação de 18 casos (novos e retratamentos) por cem mil habitantes, contra uma taxa de 18,2 em 2017. Já a taxa de incidência (novos casos), foi de 16,6, quando em 2017 era de 16,9. Quanto à mortalidade, passou de 6,9% para 6,4%. A taxa de notificação tem diminuído a um ritmo anual, nos últimos dez anos, de 4,55%.

"Não é o desejável", admite a diretora do Programa Nacional para a Tuberculose, frisando que o nosso país não é caso único. "A nível global, além de Portugal, houve uma desaceleração na redução anual de casos. E isso tem a ver com a tendência para achar que a doença está controlada, desinvestimos da doença." Ainda assim, Portugal tem uma "proporção grande de casos nativos [77%, sendo os restantes estrangeiros], o que permite controlar a multirresistência", diz.

BCG nas maternidades

Dos 226 óbitos registados em 2018 (mais 37 face a 2017, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística - ver infografia), um era uma criança. Um menor que veio para Portugal em janeiro de 2018, "proveniente de Angola e que apresentava uma neoplasia (linfoma) e uma tuberculose grave". Naquele ano, registaram-se 34 casos de tuberculose em crianças até aos seis anos de idade, sendo que 35,3% estavam imunizadas.

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Neste ano, revela Isabel Carvalho, não há registo de qualquer caso grave da doença em menores. Recorde-se que, em 2018, registaram-se quatro casos graves, sendo que nenhuma destas crianças estava vacinada, apesar de três terem critérios para tal.

Razão pela qual a Direção-Geral da Saúde está a trabalhar no sentido de se voltar a administrar a BCG em algumas maternidades, logo à nascença e apenas nos menores identificados como de risco, uma vez que a vacinação universal deixou de ser feita em 2017. Porto e Lisboa, com as mais altas taxas de notificação do país, são as áreas prioritárias. "Estamos a otimizar a operacionalização, como será feito no terreno, a treinar novamente as pessoas, a perceber quais as maternidades interessadas e a garantir o fornecimento da vacina", adianta. Tudo em articulação com o Programa Nacional de Vacinação.

Alterações na metodologia

Portugal usa duas plataformas de notificação: o SINAVE, que "pretende a rápida notificação dos casos suspeitos"; e o SVIG-TB, "plataforma de vigilância dos casos de tuberculose ativa e de infeção latente". Segundo Isabel Carvalho, "a DGS tem vindo a otimizar as ferramentas de vigilância da tuberculose, estando este processo ainda em evolução". A ECDC, refira-se, aplica um ajuste à taxa de notificação por risco de subnotificação.

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