Covid-19

Teme-se rutura na saúde mental, médicos na linha da frente já pedem ajuda

Teme-se rutura na saúde mental, médicos na linha da frente já pedem ajuda

Já há pedidos de ajuda na área da saúde mental por médicos e enfermeiros que estão no combate à Covid-19. Ana Matos Pires, do Programa para a Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde (DGS), adianta que a maioria é do Norte do país. Também já está ativo o plano nacional de saúde mental em contexto de catástrofe, que prevê apoio psicológico à população.

Todos os serviços de psiquiatria dos hospitais disponibilizaram um contacto direto aos profissionais de saúde na linha da frente. "Os pedidos vão ser cada vez mais frequentes; 99% vão precisar de continuidade", acredita Ana Matos Pires. A coordenadora regional da saúde mental do Alentejo explica que a linha é confidencial. "Do outro lado, há um psiquiatra que está na mesma unidade de saúde e que poderá atender o profissional também presencialmente". Segundo a médica, "não se vai impor acompanhamento, a pessoa é que pede".

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros teme o que aconteceu em Itália, onde uma enfermeira se terá suicidado depois de contrair o novo coronavírus. "Os profissionais estão sob um stress muito grande, não só pelo alargamento dos turnos, mas também emocionalmente. Têm medo por eles, pelos doentes e pela família", refere Ana Rita Cavaco, que acredita que o segredo está "em olharem uns pelos outros. É importante estar atento ao colega do lado".

grandes desafios

Médicos e enfermeiros também podem agendar consultas por videochamada: www.p5.pt/apoio. A linha foi criada pelo psiquiatra Pedro Morgado: "Há pedidos de todo o país, sobretudo dos hospitais, por ansiedade, exaustão, dificuldade em gerir o trabalho".

Ana Matos Pires antecipa grandes desafios na saúde mental. "Vai ser generalizado. Nos profissionais de saúde, para já, são os burnouts. Depois, o stress pós-traumático. Na população em geral, vão surgir perturbações ansiosas e depressivas, ligadas a situações de desemprego, luto de familiares". A psiquiatra vai mais longe: "Dentro de três ou quatro meses, os serviços de saúde mental do SNS não vão conseguir dar resposta a todos os pedidos de consulta".

Em todo o país, já se ativou também o plano de saúde mental em caso de catástrofe. "Significa que todos os serviços de psiquiatria modificam o seu modo de funcionamento. Passam as consultas todas para telefone, mantendo internamentos e urgência. Mas tentamos reduzir o número de doentes a ir à urgência, que é um foco de contágio".

recurso à criatividade

Os utentes que estavam a ser acompanhados continuam a ser seguidos por telefone, mas qualquer pessoa pode pedir apoio.

Foi criada uma linha direta entre os cuidados de saúde primários e os serviços de psiquiatria para casos graves. "Não há reforço de meios, mas criatividade", diz a médica que, em Beja, deu formação a psicólogos e assistentes sociais da Câmara e Segurança Social. "São pessoas que estão no terreno e que podem encaminhar-nos casos novos", salienta.

Serviços

Qualquer pessoa pode pedir apoio, ligando para o SNS 24 (808 24 24 24, reforçada com mais psicólogos), para o centro de saúde ou para o hospital. Todos estão coordenados.

No terreno

Câmaras e Segurança Social podem identificar pessoas a precisar de apoio e contactar o centro de saúde que ligará ao utente.

Psiquiatras voluntários

A linha para profissionais de saúde criada por Pedro Morgado tem 242 psiquiatras voluntários. Em 15 dias, houve 50 consultas.

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