Manifestação

Trabalhadores dos hospitais privados exigem aumento salarial

Trabalhadores dos hospitais privados exigem aumento salarial

Sindicato alerta que 90% dos profissionais de saúde da hospitalização privada recebem o ordenado mínimo nacional e diz que a associação patronal "recusa negociar aumentos para 2021". Trabalhadores de vários hospitais privados manifestaram-se, na manhã desta segunda-feira, em frente ao Hospital de Santa Maria, no Porto, pela atualização dos salários que dizem "estar estagnados" e pela redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais. Recurso à greve está a ser avaliado.

O protesto, que deu início à "Jornada de Luta da CGTP" no Porto, contou com a presença de profissionais do Hospital de Santa Maria, da Casa de Saúde da Boavista e do Hospital da Arrábida. Maria Filomena Ribeiro era um dos rostos entre os manifestantes. Tem 66 anos e cumpre este ano meio século ao serviço da Casa de Saúde da Boavista. Atualmente, trabalha como cozinheira e recebe 780 euros por mês.

"Os salários são muito baixos. O meu ordenado não mudou muito ao longo do tempo e temos as categorias estagnadas", contou, sem esconder a "tristeza" pela falta de "reconhecimento" por parte da entidade patronal.

"Durante a pandemia, foi muito cansativo. Sempre colaboramos com a entidade patronal e os agradecimentos não existiram. Agora levamos com isto: o aumento dos salários é zero. Estou triste e desiludida", afirmou Maria Filomena Ribeiro.

A seu lado e com um ordenado semelhante, estava Nuno Moreira. Tem 41 anos e é técnico administrativo no Hospital da Arrábida. "Reivindicamos aumentos salariais, a redução do horário de trabalho e a garantia de folga um fim de semana por mês. Acho que os 780 euros é um ordenado baixo para a sobrecarga de trabalho que temos, a nível físico e emocional. Para quem recebe o ordenado mínimo, ainda mais baixo é", considerou.

Maria Rocha é auxiliar de ação médica especialista no Hospital de Santa Maria. Com três décadas de serviço, ganha 750 euros por mês. "Peço um aumento salarial e a atualização das categorias. As colegas que entraram nos últimos 10 anos, não estão a ter as categorias justas. Há muitas colegas a ganhar o ordenado mínimo", referiu Maria Rocha, lamentando também a falta de reconhecimento pelo esforço dos profissionais durante a pandemia.

"O meu dia a dia é sempre a correr. É muito trabalho", contou a auxiliar de ação médica especialista.

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De acordo com a Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT), "o setor da hospitalização domiciliária" paga salários muito baixos", sendo que cerca de "90% dos trabalhadores, incluindo auxiliares de ação médica e administrativos, recebem apenas o salário mínimo nacional". Segundo o sindicato, a associação patronal do setor "recusa negociar" os aumentos salariais para 2021. Tentativas de negociação sindical, empresa a empresa, também não terão surtido efeito.

"Além dos salários, as propostas visavam também a redução dos horários de trabalho para as 35 horas e a valorização dos fins de semana, com um regime de diuturnidades que valorize a antiguidade e experiência profissional", explicou ao JN Francisco Figueiredo, dirigente da FESAHT, federação sindical que negoceia os salários do setor desde 1974, revelando ainda que as empresas alegam não ter "condições económicas".

"Isso não é verdade. Há setores, como é o caso da restauração e da hotelaria, que tiveram quebras muito significativas com a pandemia. No setor da hospitalização privada, isso não aconteceu. Aliás, no geral, o setor não teve trabalhadores em lay-off porque precisou deles na pandemia. Não há nenhuma razão, há falta de vontade em aumentar os salários", sublinhou Francisco Figueiredo, frisando que "o setor está a crescer", existindo "mais hospitais privados do que públicos".

"O Estado e o Governo, quando transferem serviços e dinheiros públicos [para os hospitais privados], deviam exigir que haja negociação da contratação coletiva. Porque é que nessas parcerias público-privadas não fica estabelecido o direito a uma atualização justa dos salários?", sugeriu Francisco Figueiredo, admitindo novas formas de luta.

"Estão a ser feitos plenários para eventualmente ser marcada uma greve que obrigue as empresas a dar aumentos salariais. Muitos trabalhadores, face à falta de atualização dos salários, vivem em situações muito difíceis", revelou.

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