Aviação

Turismo pede requisição civil nos aeroportos

Turismo pede requisição civil nos aeroportos

Mesmo com uma acalmia aparente nos aeroportos nacionais neste domingo (houve 321 voos cancelados), o impacto da greve na Groundforce não se fez sentir apenas na vida dos passageiros.

Segundo Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal, é todo um setor - um dos mais afetados pela pandemia - que está a ser novamente prejudicado, pelo que defende, por um lado, o recurso "à requisição civil" e, por outro, que os trabalhadores e a administração da empresa cheguem a um acordo a tempo de prevenir efeitos semelhantes nos dias das próximas greves já agendadas (31 de julho, 1 e 2 de agosto) e assim pôr cobro também à imagem negativa que se está a passar do país.

"Não podemos, de maneira nenhuma, vir a ter mais mil voos cancelados em 31 de julho e 1 e 2 de agosto. O direito à greve está constitucionalmente previsto, mas isso não pode prejudicar milhares e milhares de pessoas e prejudicar, como está a prejudicar, a imagem do país. Sou apologista de qualquer medida que evite que se venha a repetir algo que já vai dar uma imagem muito negativa de Portugal. Se necessário for uma requisição civil, que seja feita", sustentou Francisco Calheiros, em declarações à TSF.

Custos por calcular

"Alguém já teve o trabalho de calcular os custos de tantos voos cancelados? Os custos em testes que se fizeram? As indemnizações que se vão ter de dar? Se pusermos 150 pessoas em cada voo, as 10 mil pessoas que deixaram de viajar, de vir para cá e de consumir em Portugal? E, sobretudo, qual é a imagem que estamos a transmitir do nosso país?", questionou.

Na véspera, o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, Pedro Costa Ferreira, tinha dito tratar-se de uma "vergonha" o que se estava a passar nos aeroportos portugueses. "Alguém faz uma pequena ideia do que é que a nossa concorrência, enquanto destino turístico, está já a fazer nas redes sociais, à conta da vergonha que se está a passar nos nossos aeroportos?", questionou.

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Lembrando que o pretexto da greve é uma questão salarial, Pedro Costa Ferreira argumentou que os trabalhadores do turismo também têm direito aos seus salários, tendo em conta que o verão é das "únicas oportunidades para o setor", com a agravante de este "não ser melhor que o do ano passado". Além disso, citado pela Lusa, levantou o problema dos reembolsos dos voos cancelados, lamentando que as companhias aéreas "não respeitem" o direito a esse reembolso.

André Teives, presidente do Sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos, a estrutura que convocou a greve, disse ontem não ter recebido qualquer contacto, no sentido de encontrar uma solução para a instabilidade salarial. Estima-se que no fim de semana tenham sido cancelados mais de 600 voos. Lisboa foi o aeroporto mais prejudicado e as companhias de bandeira também.

TAP apresenta proposta

Na última semana, a TAP disponibilizou-se para fazer "um adiantamento por conta de serviços prestados ou a prestar" à Groundforce (da qual detém 49,9%), para pagar os subsídios de férias.

Groundforce contrapõe

A Groundforce recusou a proposta, alegando que bastaria que a TAP lhe pagasse o valor em dívida (alega 12 milhões de euros) pelos serviços já prestados pela Groundforce para que os salários fossem regularizados.

TAP diz não dever nada

A TAP reafirmou que "não tem quaisquer pagamentos em atraso à Groundforce" e que tudo fez do que estava "ao seu alcance para evitar esta situação".

Cancelamentos

No Aeroporto de Lisboa foram ontem cancelados 62,3% dos 515 voos previstos. No Porto, a paralisação afetou 20% da 195 ligações previstas, de acordo com dados da ANA-Aeroportos de Portugal. Em Faro foram canceladas sete ligações, na Madeira e no Porto Santo foram cancelados seis voos em cada um dos aeroportos.

Trabalhadores

Trabalham na Groundforce quase 2400 funcionários. O número traduz uma redução na ordem dos 15% na comparação com maio do ano passado.

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