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Um em cada sete jovens tem um distúrbio mental

Um em cada sete jovens tem um distúrbio mental

Relatório alerta para impacto da covid-19, com Portugal no segundo lugar em lista da Unicef.

Um em cada sete jovens entre os 10 e os 19 anos tem um distúrbio mental. Quase 46 mil adolescentes morrem de suicídio por ano. Apenas 2% dos orçamentos públicos na área da saúde são atribuídos a despesas diretas com saúde mental. A realidade de 2019 é traçada pela Unicef a nível mundial e será apenas a "ponta do icebergue". Teme-se que a pandemia venha agravar o cenário.

Portugal é um dos analisados numa lista de 33 países europeus: está em segundo lugar (19,8%) na estimativa da prevalência de perturbação mental em rapazes e raparigas, entre os 10 e os 19 anos. Em primeiro lugar está Espanha (20,8%), num pódio onde aparece também a Irlanda (19,4%), a Suíça (18,7%) e a França (18,3%).

"Obviamente, é um número que nos tem de preocupar", diz Francisca Magano, diretora de Políticas de Infância e Juventude da Unicef Portugal. Mais do que um "investimento claro" no orçamento da Saúde, a dirigente crê que é necessário comunicar e "trabalhar a literacia em saúde mental" para "combater o estigma".

Há dois anos, quando o vírus da SARS-CoV-2 apareceu pela primeira vez no Mundo, nove milhões de adolescentes viviam com um distúrbio mental na Europa. Cerca de 55% eram relativos a ansiedade e a depressão, de acordo com o relatório revelado esta terça-feira.

Francisca Magano afirmou ao JN que a delegação portuguesa não tem dados recentes relativos à saúde mental nos menores. Contudo, o país não se deverá afastar do panorama traçado para a realidade mundial. "Os números podem revelar-se superiores", devido "ao período de encerramento das escolas, ao ensino à distância e ao isolamento".

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Os dados mostram ainda que pelo menos um em cada sete menores no Mundo foi afetado pelos confinamentos: "estima-se que mais de 1,6 mil milhões de crianças sofreram alguma perda ao nível da educação", lê-se no relatório.

Tal como avança o documento da Unicef, também a diretora de Políticas de Infância e Juventude em Portugal defende que o Plano de Recuperação e Resiliência da União Europeia deve ser claro no investimento nos mais novos. "Não basta criar mais unidades de internamento", refere.

As escolas devem ter um papel importante na promoção do bem-estar, através da "capacitação e formação dos profissionais". "Os agentes de saúde mental são todos os que lidam com crianças e jovens. Somos todos nós. Todos os que se importam", conclui.

Impacto da pandemia

Os primeiros resultados de um inquérito realizado a jovens entre os 15 e os 24 anos, de 21 países, conclui que um em cada cinco inquiridos se sente frequentemente deprimido ou com pouco interesse em executar tarefas. A análise foi feita pela Unicef e a empresa norte-americana de pesquisa de opinião, Gallup.

Perdas para a economia mundial

Além do impacto humano, uma análise da London School of Economics avança que a contribuição perdida para as economias, devido a "perturbações mentais que levam à deficiência ou à morte entre os jovens", pode ascender a quase 390 mil milhões de dólares por ano (cerca de 335 mil milhões de euros).

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