Estudo

Um quinto dos jovens refere consumir mais álcool

Um quinto dos jovens refere consumir mais álcool

Confinados na idade da descoberta, a pandemia impactou nos jovens tanto em termos de consumos como de saúde mental. Com alterações expressivas ao nível do peso e do sono. Uma realidade que torna urgente, alertam investigadores, a sua representação nos meios de decisão. E o devido apoio psicológico.

As conclusões preliminares são de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), que procedeu a uma análise multidisciplinar dos impactos da covid, por via de inquéritos realizados entre março e maio. E no que à saúde e bem-estar das camadas mais novas concerne, quase 20% dos 1161 entrevistados (15-20 anos) reportaram um aumento do consumo de álcool e tabaco, contra 9% no total da amostra. Já o consumo de fármacos psicotrópicos foi referido por 11%.

E se ao nível de alterações no peso 35% dos entrevistados reportaram mudanças, nos inquiridos dos 15-20 anos aquele valor ultrapassa mesmo os 50%, lê-se no estudo a que o JN teve acesso. Do ponto de vista de distúrbios do sono, a proporção passa de 30% para mais de 50%.

Quanto a impactos na saúde mental, e numa leitura para o total da amostra, "em cada 20 entrevistados, seis sentiram-se sozinhos durante o ano de 2020; quatro sentiram pouca intimidade com as pessoas com quem passam tempo". Sendo que "um em cada 20 afirma ter desenvolvido doenças crónicas graves, incluindo doença mental", precisam.

A análise por faixas etárias ficará para um segundo momento da recolha de dados, mas Maria Manuela Calheiros, coordenadora da área de Sociedade do estudo da FFMS, afirma "parecer existir uma tendência para que os jovens apresentem níveis, em média, de menor saúde mental com base numa trilogia de indicadores: depressão, ansiedade e stress".

Impacto esse que se verifica, também, "na população ativa, entre os 41 e 70 anos, que apresenta níveis de medo mais elevados em relação ao vírus". Do lado oposto, está a faixa "idosa da população onde a mortalidade é mais expressiva".

Mais representados

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Para a professora da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, os jovens "precisam de apoio psicológico para ajudar a mitigar as consequências destas múltiplas crises geradas pelas medidas de contenção do vírus". Sendo, também, "urgente garantir a sua participação na avaliação das suas necessidades e a sua representação nos meios de decisão, por forma a que a gestão da crise sanitária seja feita a pensar também nos seus interesses e não lhes traga apenas estes graves prejuízos, nas várias dimensões da sua vida".

Democracia

Numa outra análise, 43% dos inquiridos consideraram que a democracia "foi enfraquecida durante o período de pandemia". No entanto, sublinham os investigadores, "60% declararam-se satisfeitos com a forma como a democracia funciona no país".

Economia

A maioria dos inquiridos (56%) não espera uma melhoria da sua situação financeira nos próximos seis meses. Analisando os extremos, 26% admitem uma melhoria contra 15% uma deterioração. Ao nível de despesas dos agregados, foi na restauração (64%) e cabeleireiros e beleza (58%) que maior redução sentiram. No sentido inverso, 44% aumentaram consumos de luz, gás e água.

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