Balanço

Urgências perderam quase 200 mil utentes só em março

Urgências perderam quase 200 mil utentes só em março

O afastamento dos utentes dos serviços de urgência básica e hospitalar é bem patente nos dados de monitorização do Portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Entre fevereiro e março deste ano regista-se uma quebra de 36,5% (menos 181 849) episódios de urgência. Na comparação com março de 2019 a quebra é de 43,7% (menos 246 mil).

Esta redução está em linha com os dados revelados no final da semana pelo barómetro Covid-19, desenvolvido pela Escola Nacional de Saúde Pública. O documento frisa que a "associação entre o início da pandemia e a redução desta procura é evidente". Os números consultados pelos investigadores apontam para 295 451 episódios de urgência no mês passado, o que representa uma descida de 45% em relação a março de 2019.

Rui Santana, um dos investigadores, explicou ao JN que a redução de acidentes de viação, de trabalho ou das lesões desportivas podem ajudar a compreender a quebra nos casos mais graves. Quando são situações menos graves, com sintomatologia mais ligeira, as denominadas urgências verdes e amarelas, "até é um aspeto positivo", defendeu, porque alivia a sobrecarga do cuidados de saúde.

"A chamada de atenção é para os amarelos e laranjas", frisou, porque pode haver "um efeito dissuasor da procura de cuidados". O que pode ser preocupante porque podem ser necessidades que se estão a acumular "para serem manifestadas mais tarde já com um aumento da gravidade".

O investigador alertou ainda para o "efeito cumulativo" daquilo que está a ser agora adiado, como consultas e cirurgias. "Daqui a dois, três meses, quando terminar isto, vai haver aqui um acumular de stock de doença que vai ter de ser resolvido".

"Preocupação grande"

"Essa é uma preocupação grande. Como é que vamos organizar os cuidados para além da infeção por Covid-19", destacou, por seu lado, Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares.

No seu entender, "o sistema vai ser obrigatoriamente diferente do que é hoje" e existem processos, como a telemedicina, que podem ser acelerados "para que não exista uma quebra no acesso generalizada".

Sobre a diminuição dos episódios de urgência, Alexandre Lourenço sublinhou que se sabe "à partida que 40% dos episódios não necessitavam deste tipo de cuidados". No entanto, os dados têm de ser analisados com cuidado.

"Será muito importante percebermos o que é que está a acontecer e depois analisar, hospital a hospital, em que timing é que estes doentes estão a chegar".

Menos 246 mil casos

No mês de março registaram-se menos 246 041 episódios de urgência do que no mesmo mês do ano passado. Comparando com o mês de fevereiro, houve menos 181 849 (36,5%).

Também nos graves

Os episódios qualificados como vermelho e amarelos (mais graves) registaram uma descida em relação a 2019. Os primeiros passaram de 1741 para 1178. Os segundos de 48 271 para 31 777.

Lisboa a cair mais

A s unidades da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo foram as que contaram com menos episódios. Desceram de 187 860 para 108 572, no mês homólogo.

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