Proteção Civil

Vacinas levam a demissões na Liga dos Bombeiros

Vacinas levam a demissões na Liga dos Bombeiros

Maioria dos membros de órgão consultivo bateu com a porta. Presidente recusa falta de diálogo.

Doze dos vinte membros do Conselho Nacional Operacional (CNO) da Liga de Bombeiros demitiram-se, acusando a direção de falta de diálogo sobre temas que consideram inadiáveis: vacinação contra a covid-19, equipamentos de proteção individual e preparação para a época de incêndios. Jaime Marta Soares recusa a crítica e desvaloriza as saídas de um órgão consultivo.

Para os conselheiros, a gota de água foi a vacinação, disse ao JN um dos demissionários, José Rodrigues, comandante de Peniche. Primeiro, contou, as associações receberam instruções para escolherem metade dos operacionais a vacinar; depois, souberam que a campanha não começa esta semana, como anunciado. "Não escolho metade dos bombeiros. Todos saem para socorrer pessoas, sem vacina e, muitos, sem equipamento de proteção recomendado", justificou.

Este é um dos três assuntos que os conselheiros queriam discutir com a direção executiva da Liga. Na semana passada, afirmou José Rodrigues, foi pedida uma reunião urgente. Em resposta, adiantou, "o ofício do coordenador [do CNO] disse que a prioridade da Liga é a campanha de vacinação, mas sem marcar uma data para a reunião".

Com a resposta, os conselheiros concluíram que o seu papel foi esvaziado. "Só faz sentido existirem conselheiros se forem ouvidos, podendo assim assessorar o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses na tomada de decisão", acrescentou, por escrito, José Rodrigues. E assinalou que não está em causa o apoio a Marta Soares: "Se for preciso voltarmos ao Terreiro do Paço, lá estaremos", disse, aludindo a uma manifestação, em 2018.

Marta Soares nega

O presidente da Liga de Bombeiros, Marta Soares, negou estar fechado ao diálogo. Por norma, o CNO é convocado antes de encontros do Conselho Nacional da Liga que, este ano, ainda não reuniu, justificou. "E nem deram tempo ao conselho executivo para dizer o que pensa sobre a proposta do coordenador".

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Para Jaime Marta Soares, o CNO é "um órgão de consulta", criado em 2017 por proposta sua e sem autonomia para fazer imposições ao conselho executivo", como "reuniões com ordens de trabalhos". Os conselheiros, disse, "querem impor uma situação sem legitimidade" e "são livres de se demitirem".

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