Inovação

Vão ser premiados por inovarem com resíduos

Vão ser premiados por inovarem com resíduos

Iniciativa do Electrão distingue esta segunda-feira projetos que promovem a recolha e reutilização de materiais.

Andreas Noe deixou o emprego para recolher plástico e sensibilizar a comunidade. Diego Mergener idealizou um jogo que ensina sobre responsabilidade social. A Cascais Ambiente desenvolveu uma rede de ecocentros que permitem separar 12 tipos de resíduos. Estes são os grandes vencedores da 2.a edição da Academia Electrão, que a entidade gestora de resíduos Electrão dá hoje a conhecer. Cada um vai receber um prémio de 4000 euros.

De entre os 74 projetos apresentados a concurso sobressaem, ainda, mais quatro, que são distinguidos com prémios no valor de 2000 euros cada (ler em cima).

A ideia é "apoiar o desenvolvimento de projetos que apresentem soluções inovadoras para a gestão e destino sustentável dos resíduos que o Electrão gere", ou seja, embalagens, pilhas e equipamento elétricos, explica Mónica Luízio, responsável de Controlo e I&D do Electrão.

Mas para Andreas Noe é muito mais. É a "confirmação" de que a missão que assumiu na vida está a ter "impacto" e que "influencia as pessoas para refletirem sobre o problema do plástico", dando-lhe mais força para continuar.

Biólogo molecular de formação, o alemão chegou a Portugal há quatro anos para fazer doutoramento e trabalhar. Juntou as poupanças e lançou o projeto "The Trash Traveler" (viajante do lixo), ao qual pretende dedicar-se a tempo inteiro enquanto conseguir.

"O problema do plástico é global", admite Andreas, que se apaixonou por Portugal e por isso desenvolve aqui a sua ação. Há um par de anos começou a recolher plástico ao longo da costa portuguesa e foi fazendo vídeos que coloca nas redes sociais, para tentar sensibilizar a população a mudar comportamentos. Num périplo de 58 dias pelo litoral, recolheu 1,6 toneladas de plástico. Agora, tem em marcha uma iniciativa similar mas com beatas. As parcerias com ONG e artistas plásticos, que dão nova vida aos materiais recolhidos, têm-lhe permitido maximizar a ação.

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Jogo de tabuleiro

Diego Mergener, um brasileiro formado em design, idealizou um jogo de tabuleiro que visa promover a "educação e responsabilidade ambiental" em relação ao tratamento e recolha de resíduos. Chama-se "Mechanical 2021" e aposta na "cooperação" entre jogadores (crianças a partir dos 10 anos), para a obtenção de objetivos, como a construção de fábricas de reciclagem.

Em Cascais, está de parabéns a Rede de Ecocentros que permite recolher e separar 12 tipos de fluxos, desde cabos elétricos a pequenos eletrodomésticos, pilhas, baterias, toners, tinteiros, lâmpadas, latas de spray, louças, cassetes, livros, revistas, rolhas e caricas.

O primeiro ecocentro foi implementado em agosto de 2020 pela Cascais Ambiente e, desde então, a rede cresceu. Atualmente existem seis fixos e dois móveis (em cada dia estão num local distinto, para que periodicamente as pessoas tenham este tipo de equipamentos na proximidade).

Luís Capão, administrador da Cascais Ambiente, já nota resultados. Há, diz, um "crescendo da utilização das pessoas". Até ao momento foram recolhidas cerca de "30 toneladas de resíduos que, se não fossem estes ecocentros, iriam para o lixo indiferenciado ou iriam contaminar cargas noutros contentores de separação".

Educação - Kit ensina a reutilizar baterias

"ReCarrega Marvila", uma iniciativa da associação Sustainable Energy Youth Network, prevê a criação e implementação, em contexto educativo, de um kit que ensina a construir powerbanks com baterias de lítio reutilizadas. Serão realizados workshops com jovens do bairro de Marvila, em Lisboa, e campanha de sensibilização.

Arte - Esculturas para dar rosto a problema

O projeto artístico "Face Plastic", de Vasco Mourão, também foi premiado. Com o lixo e resíduos plásticos recolhidos perto do mar, na ilha do Pico, são criadas esculturas/caras para dar um rosto ao problema. Foram já materializadas 60 esculturas, que deram origem a uma exposição no Terminal Marítimo da Madalena do Pico.

Alerta - Garrafas de plástico em ícones

O projeto "Sustentarte", de Eduarda Vieira e Diana Leite, pretende dar uma nova vida e utilidade a objetos de plástico usualmente descartados, sensibilizando a comunidade. Em estruturas metálicas, com ícones alusivos a cada distrito do país, serão colocadas garrafas de plástico recolhidas pela população.


Fazer - Reintrodução de lixo eletrónico

Com a implementação do espaço "Maker", no Centro Histórico de Elvas, Jorge Moita quer aproveitar um espaço devoluto para realizar atividades de formação sobre economia circular, como workshops para fazer bijutaria e produtos de decoração com lixo eletrónico, eventos Repair Café, palestras e atividades com escolas.

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