Covid-19

Variantes não afetam vacina nem causam "doença mais grave"

Variantes não afetam vacina nem causam "doença mais grave"

O virologista Pedro Simas reafirmou esta terça-feira que "não há motivo para alarme" quanto às três novas variantes do coronavírus, uma vez que não está cientificamente provado que causem "doença mais grave" ou que diminuam a eficácia das vacinas desenvolvidas contra a covid-19.

"Estas variantes são um processo natural. Temos de nos preocupar com elas, porque temos de as vigiar para ver se não surge uma que cause mais doença, o que é pouco provável", explicou ao JN, acrescentando, no entanto, que ainda não surgiu nenhuma estirpe dominante que afetasse a eficiência da vacina.

Mesmo que surja uma variante emergente mais "letal", há a possibilidade de adaptar a vacina. "É tão fácil atualizá-la. É só alterar o código genético", reforçou o virologista, exemplificando com o "programa clínico", anunciado esta terça-feira pela empresa Moderna, que aumentou a imunidade contra as variantes emergentes, como a britânica ou a sul-africana. Para a estirpe brasileira, ainda não há grandes dados.

Em diferente e em comum

Mas, afinal, o que as distingue? Para o virologista do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa, o mais interessante "não é o que elas têm de diferente, mas sim em comum". E isso passa inevitavelmente pela disseminação comunitária mais eficiente.

"A do Reino Unido tem a mutação 501. A da África do Sul tem a mutação 501, 484 e a 417. E a do Brasil tem a 501 e a 484. Todas elas têm uma capacidade de disseminação melhor. São mais contagiosas", referiu, reiterando que os vírus mudam constantemente por meio de mutações e que, por isso, é expectável que surjam novas estirpes, dado o elevado grau de infeções no mundo.

Detetada em setembro do ano passado, a variante britânica espalhou-se por mais de 50 outros países, entre os quais Portugal.

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Também já presente em território nacional está a estirpe sul-africana que a comunidade científica internacional acredita ser potencialmente mais perigosa que a do Reino Unido e mais resistente aos anticorpos desenvolvidos por quem já esteve infetado.

Quanto à variante do Brasil, cujo epicentro está localizado em Manaus, no estado do Amazonas, ainda não foi registada em Portugal.

Questionado sobre se as restrições de movimento são eficazes para controlar uma estirpe, Simas é perentório: "No fundo, é indiferente. Não é isso que vai impedir que variantes mais fortes dominem no mundo inteiro. Mesmo com poucas infeções, serão sempre mais eficientes a disseminarem-se em relação às outras", assegura.

No entanto, para o virologista, as estirpes emergentes não devem justificar eventuais falhas na contenção da pandemia que, por sua vez, culminam no "descontrolo das ondas de infeção".

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