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Ventilador fabricado em Matosinhos "é comparável aos melhores"

Ventilador fabricado em Matosinhos "é comparável aos melhores"

Andavam embrenhados na produção de satélites, automóveis e até na criação de software para mobilidade urbana quando, no início de março, os engenheiros do Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel (CEiiA), situado em Matosinhos, foram desafiados a produzirem, de raiz, ventiladores que estão em faltar nos hospitais na luta contra a covid-19. Em 45 dias, o produto ficou pronto.

O secretário de Estado da Economia, João Neves, foi ontem conhecer de perto o trabalho realizado no CEiiA e não tem dúvidas em afirmar que "o ventilador é absolutamente comparável com os melhores da classe que temos ao dispor nos nossos hospitais".

Com uma mais-valia perante a concorrência: "Enquanto no mercado um ventilador anda à volta dos 25 mil dólares [cerca de 22 900 euros], este produzido por nós ronda os dez mil dólares [cerca de 9200 euros] em termos de custo", garante José Rui Felizardo, presidente do CEiiA.

"Dá-nos esperança que possamos ter no futuro uma linha de produto, que não seja só para responder a esta situação de crise, mas que acrescente valor às nossas empresas", salientou o secretário de Estado da Economia, assumindo que haverá o apoio do Governo. "Vamos começar a ter decisões no prazo que tínhamos proposto, de dez dias úteis, esta semana", acrescentou.

PRIMEIRA ENTREGA

Os primeiros dez ventiladores produzidos no CEiiA serão entregues no final desta semana ao Hospital de Santo António, no Porto.

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Já a encomenda maior de uma centena de aparelhos - patrocinada por um grupo de mecenas, em que se destacam, por exemplo, a EDP, a REN, a Fundação Calouste Gulbenkian ou a família Américo Amorim - "ficará pronta até ao final do mês", assumiu, ao JN, o presidente do CEiiA.

"O plano de produção de ventiladores que está previsto fazermos é de 100 + 50 + 100", referiu o diretor, Miguel Braga, especificando que têm recebido "pedidos de mais hospitais e encomendas do Brasil".

Mas de acordo com Tiago Rebelo, diretor de desenvolvimento de produto, "o CEiiA não tem como objetivo fazer produção massiva de nenhum produto". E explica: "Assumimos, nesta primeira fase, o papel de ser fabricante por uma questão de simplicidade e de rapidez, mas não o faremos um produto comercial".

No entender do engenheiro, o que se espera "é que a indústria portuguesa possa ter uma nova área económica, que nos permita duas coisas: não só acrescentar valor a uma economia de base em conhecimento, mas também garantir que não voltamos a ter nesta área dependência extrema de terceiros, nomeadamente da Ásia".

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