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Ventura diz que vai tomar vacina perante acusações de Costa

Ventura diz que vai tomar vacina perante acusações de Costa

A falta de vacinação de André Ventura dominou parte do debate na RTP com António Costa, que exigiu ao líder do Chega que explicasse as suas dúvidas sobre a vacina contra a covid-19. Ventura garantiu, então, que será vacinado, após ser acusado de dar um mau exemplo aos portugueses. Outro tema dominante foi a possível suspensão do isolamento para as legislativas, com Ventura a acusar Costa de não ter antecipado este problema. Ambos trocaram ainda duras críticas sobre corrupção e Sócrates veio à baila.

André Ventura criticou o secretário-geral do PS e primeiro-ministro por não ter preparado, quando já tinha os dados sobre a variante ómicron, o processo das eleições legislativas de forma a garantir que os portugueses em isolamento conseguissem votar, não tendo antecipado que "provavelmente 600 mil pessoas pudessem ficar em isolamento nessa altura".

O debate desta quinta-feira começou, aliás, com Costa a ser questionado sobre a votação nas legislativas de 30 deste mês para quem estiver isolado, mas preferiu virar as atenções para Ventura, fazendo o contraponto entre os 89% de portugueses já vacinados e a atitude que o deixa "arrepiado" do líder do Chega, responsável político que "deveria dar o exemplo", mas, após ter estado com covid-19, ainda não se quis vacinar. Perante a garantia de Ventura de que vai tomar a vacina, embora recordando tratar-se de um direito pessoal, Costa conclui que o debate já valeu a pena porque o país "ganhou mais um vacinado", após ser "apertado" esta noite.

Sobre a votação, o líder socialista sublinhou que houve uma alteração da lei eleitoral no final da legislatura e que aguarda parecer da Procuradoria-Geral da República.

Ventura responsabiliza Governo

"Fico contente que os grandes temas que traga para o debate seja a minha saúde", ironizou o líder do Chega. E devolveu a pressão: "Por que razão o Governo não antecipou que provavelmente 600 mil pessoas pudessem ficar em isolamento nessa altura?", questionou quando se aponta para 400 mil.

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"A responsabilidade disto é do Governo. O Governo sabia que isto podia acontecer e não o quis fazer. Andou aos ziguezagues", acusou o deputado André Ventura. Do mesmo modo, responsabilizou Costa pelo "caos" na Saúde. "Em vez de se preocupar com o estado da Saúde está preocupado com a minha vacinação", criticou ainda. Da sua parte, explicou que não se pode vacinar de imediato após ter covid-19. "É uma decisão que terei de tomar", começou por responder. Mas acabou dando essa garantia: "Quero vacinar-me". "Acho um grande progresso porque a 22 de dezembro, à CNN, disse que estava a equacionar", reagiu António Costa.

A corrupção foi outro tema polémico da noite, com Costa a jogar novamente ao ataque: "Fica claro porque deixou a fiscalização tributária para passar para o aconselhamento fiscal". Além disso, "não é só Rui Rio que fazia parte do corte das pensões, o senhor deputado era do PSD e depois disso foi candidato do PSD a vereador, quer cortar muitos cargos políticos mas já foi candidato a todos nos últimos anos", denunciou o líder socialista.

"Fala, fala, fala mas é preciso ver o que faz. Fala muito de corrupção, no dia 19 de dezembro onde estava? Faltou à Assembleia quando tinham sido votados dois diplomas fundamentais de combate à corrupção. Por unanimidade e com a ausência do Chega", prosseguiu Costa. Ventura insistiu que estava numa reunião em Bruxelas enquanto Costa repetia "Comigo não passa" para desvalorizar a argumentação do deputado.

"Ministro da Justiça de Sócrates"

Na resposta aos ataques, Ventura voltou a usar o trunfo de Sócrates. "O ministro da Justiça de José Sócrates trazer a corrupção para cima da mesa é de bradar aos céus. Devia pedir desculpa aos portugueses pelos inúmeros casos de corrupção que o PS gerou e por estarmos a julgar um ex-primeiro-ministro que nos tirou milhões", atirou o líder do Chega, que até exibiu uma foto de Costa ao lado de Sócrates.

"Não há filhos e enteados. Qualquer socialista que viole a lei tem de ser responsabilizado e é uma vergonha para o PS", assegurou António Costa.

"Quando fui ministro da Justiça fiz legislação de combate ao terrorismo, à criminalidade organizada e à corrupção e o senhor deputado fez uma tese de doutoramento em 2013 contra a legislação que fiz como ministro", atirou ainda em mais uma provocação.

No debate, Costa foi ainda questionado sobre se admite ajudar o PSD a formar Governo para evitar a entrada do Chega, mas respondeu que a única forma é os eleitores darem maioria absoluta ao PS e estabilidade governativa, responsabilizando comunistas e bloquistas pela falta de uma solução estável.

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