Viagem sob sigilo: portugueses de Wuhan só conhecem pormenores antes de partir

PRAKASH MATHEMA / AFP
Os 17 portugueses que vão ser resgatados da região da Wuhan só irão conhecer o que os espera na viagem para Portugal numa reunião com autoridades de saúde no consulado da França às 18 horas locais de sexta-feira. Até lá, têm de aguardar isolados em casa, onde uma carrinha da embaixada portuguesa os irá recolher, um a um, pela cidade. Aterrarão em Figo Maduro, no sábado.
O grupo de cidadãos portugueses que pediu para ser repatriado de Wuhan já recebeu informação da Embaixada de Portugal em Pequim, via rede "WeChat": até às 17 horas [horas locais] de sexta-feira têm de estar com as suas bagagens prontas. Uma carrinha irá apanhar um a um pela cidade. Terão de estar no Consulado da França em Wuhan às 18 horas [10 horas da manhã em Portugal].
Será lá que o grupo, com outros europeus, irá ter contacto com autoridades de saúde, adiantou, ao JN, Miguel Matos, um dos 17 portugueses que pediu para regressar.
Para trás ficará apenas um português, também com cidadania australiana, que preferiu ficar em Wuhan, onde, segundo Miguel Matos, "está tudo fechado e em estado de sítio".
Do Consulado da França, o grupo rumará ao aeroporto local, onde irão passar por um novo controlo sanitário das autoridades chinesas.
A viagem para Portugal no avião A380 da companhia aérea portuguesa Hi Fly, que partiu na manhã desta quinta-feira de Beja, incluirá um primeiro pouso na Base da Direção Geral de Segurança Civil e de Gestão de Crises da França, em Marselha, adiantaram, ao JN, fontes ligadas à Proteção Civil portuguesa.
Ainda de acordo com as mesmas fontes, a Força Aérea participará nesta operação com um C-130, que irá buscar os portugueses no sábado, para trazê-los para a Base de Figo Maduro, em Camarate.
O JN soube, durante a tarde desta quinta-feira, alguns clínicos do Hospital das Forças Armadas, no Lumiar, em Lisboa, receberam um documento, com cerca de 20 páginas, contendo instruções de como despistar possíveis casos de coronavírus. Contudo, o JN não conseguiu confirmar se esses médicos poderão rumar a Marselha no C-130.
Todas as entidades portuguesas envolvidas nesta operação de resgaste, entre elas a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil - que estará a coordenar a missão -, têm encaminhado qualquer informação oficial para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que se mantém em silêncio.
