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Voluntários para ensaios clínicos vão poder inscrever-se online

Voluntários para ensaios clínicos vão poder inscrever-se online

As pessoas que queiram voluntariar-se a participar em ensaios clínicos vão poder fazer a sua candidatura preenchendo um formulário online. O portal Ensaios Clínicos, lançado esta quarta-feira, pretende captar mais ensaios para Portugal e recrutar doentes para os estudos. Os dados sobre os centros de investigação clínica e ensaios em desenvolvimento estão disponíveis para consulta.

Após submissão do formulário, este é redirecionado para a instituição onde decorre o ensaio clínico que, a partir desse momento, terá a responsabilidade de entrar em contacto com o doente em questão. Nos casos em que não existe esta funcionalidade do formulário, o portal indica ao doente que deverá falar com o médico que o acompanha regularmente para saber mais detalhes sobre o ensaio clínico que lhe suscitou interesse.

A participação dos doentes estará sempre dependente de avaliação por parte da equipa de investigação e do investigador responsável pelo desenvolvimento do ensaio clínico, nomeadamente no que diz respeito ao cumprimento dos critérios de elegibilidade definidos no protocolo de cada ensaio. É importante ressalvar que, apesar da plataforma Portugal Clinical Trials facilitar o contacto entre o doente e os centros de investigação clínica, a decisão de inclusão do doente em cada ensaio clínico será sempre responsabilidade da equipa de investigação clínica e investigador principal, após efetuarem a avaliação de elegibilidade. O site está disponível em https://portugalclinicaltrials.com/pt/.

Durante a apresentação do portal, António Lacerda Sales, secretário de Estado adjunto da Saúde, citando dados do Infarmed, revelou que em 2020 houve um "aumento de cerca de 30% dos pedidos de ensaios clínicos face a 2019". Porém, o número de pedidos de ensaios nesse ano foi de 187, dos quais apenas 155 foram aprovados.

Portugal apresenta o "número mais baixo de ensaios clínicos por milhão de habitante relativamente à Europa", afirmou Filipa Costa, representante da Apifarma. Apontou ainda falhas na "previsibilidade", ou seja, o tempo que demora para que um ensaio submetido para a aprovação.

Burocracia e falta de pessoal

"O tempo médio está dentro dos prazos. São 90 dias para a aprovação. Em média Portugal demora esse período, mas na Europa a média são 15 dias", prosseguiu. O recrutamento de doentes também é um obstáculo. "Falta tempo por parte dos profissionais para identificar e captar os doentes", concluiu.

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Luís Horta, do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, que possui uma unidade de ensaios clínicos, disse que os profissionais "não veem a atividade de investigação valorizada" e que os seus "colaboradores de estudo estão dispersos", como é o caso dos enfermeiros, sendo "poucos em tempo integral".

Cristina Campos, vice-presidente da Apifarma referiu que alguns dos obstáculos que têm limitado a competitividade nacional dos ensaios clínicos portugueses são os "processos burocráticos" que envolvem o processo de pedido de aprovação e a "falta de dedicação de tempo dos profissionais para ensaios clínicos".

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