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Homenagem

Voz da consciência de Aristides de Sousa Mendes recordada no Panteão Nacional

Voz da consciência de Aristides de Sousa Mendes recordada no Panteão Nacional

A voz da consciência que levou Aristides de Sousa Mendes a salvar mais de 10.000 pessoas, durante a Segunda Guerra Mundial, foi hoje recordada no início da cerimónia de concessão de Honras de Panteão Nacional, que decorre em Lisboa.

Na presença dos mais altos representantes do Estado português e de familiares, amigos e estudiosos do percurso de Aristides de Sousa Mendes, a cerimónia que decorreu no Panteão Nacional começou com a interpretação do Hino Nacional pelo Coro do Teatro Nacional de São Carlos.

No seu discurso de homenagem, o Presidente da República defendeu que "não há raças, etnias, religiões, culturas, civilizações que sejam umas mais do que outras", salientando que as entradas no Panteão Nacional em democracia, nomeadamente de mulheres, expressam a diversidade da sociedade portuguesa.

Marcelo Rebelo de Sousa discursava na cerimónia de concessão de honras de Panteão Nacional, que decorreu hoje, em Lisboa, ao antigo cônsul português em Bordéus, que salvou milhares de judeus e outros refugiados do regime nazi durante a Segunda Guerra Mundial.

"Recordando-nos, nas palavras de Paulo, que não há judeu nem romano nem grego nem outros mais. Isto é, não há raças, etnias, religiões, culturas, civilizações que sejam umas mais do que outras, e que não mereçam todas e todos o mesmo respeito da dignidade da pessoa, da sua indestrutível natureza, da sua inexpugnável diferença", defendeu.

"Que se sucedam ou não os modismos de cada época, os valores essenciais não mudam: essa justiça natural que nenhuma lei ou ordem iníquas de uma ditadura ou de um ditador podem apagar", vincou.

Marcelo lembrou que, ao entrar no Panteão Nacional, Aristides de Sousa Mendes, partilha "a homenagem pátria com tão diferentes escritores como Camões, Almeida Garrett, João de Deus, Guerra Junqueiro e Aquilo Ribeiro, ou tão opostos presidente da República quanto Manuel de Arriaga, Teófilo Braga, Sidónio Pais e Óscar Carmona. Todos, aqui consagrados antes da democracia".

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Aristides ouviu a voz da sua consciência

Coube a Margarida de Magalhães Ramalho, investigadora e coautora do Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes, o elogio fúnebre ao mais famoso diplomata português, durante o qual recordou a perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, que terminou com seis milhões deles mortos, entre outros que o nazismo perseguiu.

Durante o conflito, recordou, "os que estavam em fuga apenas queriam chegar ao sul de França e passar a fronteira. Tarefa nada fácil, pois tinham de ter válidos quatro vistos: saída de França, entrada em Espanha, que pressupunha uma entrada em Portugal, e esta pressupunha um visto definitivo para outro país".

"É neste contexto de angústia e desespero generalizados que Aristides Sousa Mendes, que desde o início da guerra vinha emitindo alguns vistos à revelia da circular 14, o que lhe custou várias chamadas de atenção, decide, a 17 de junho, ao fim de três dias de uma enorme luta interior, escutar a voz da sua consciência e, ao arrepio das ordens de Lisboa, começa a emitir vistos a toda a gente, ordenando aos consulados dele dependentes que fizessem o mesmo", referiu.

Nesta sua decisão, Aristides Sousa Mendes pode contar com o apoio condicional da sua mulher e filhos, recordou a investigadora, segundo a qual, graças ao "ato de consciência" do diplomata, pelo menos 10 mil pessoas entraram em Portugal, fugindo ao horror da perseguição nazi.

A intervenção de Margarida de Magalhães Ramalho foi seguida da atuação do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, que interpretou Requiem, de Fauré: Introit et Kyrie.

Seguiu-se a projeção, por vídeo, de vários testemunhos sobre a ação de Aristides de Sousa Mendes, antes de uma nota atuação do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, com Requiem, de Fauré: Sanctus.

A homenagem a Aristides Sousa Mendes foi aprovada pelo parlamento, no seguimento de um projeto de resolução proposto pela deputada não inscrita Joacine Katar Moreira (ex-Livre).

O antigo cônsul português está a ser homenageado sem a presença do corpo no túmulo que, desta forma, evitou a habitual trasladação para o Panteão Nacional.

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