
É diretor artístico e maestro titular da Orquestra Filarmónica Portuguesa, sediada na Feira, onde estreou a ópera "O barbeiro de Sevilha", no Teatro Municipal da Guarda até dia 12. Como maestro convidado, já se apresentou em várias partes do Mundo
Foto: André Rolo
O maestro fala da importância da lanterna na ópera de Gioachino Rossini.
"A lanterna aparece na cena inicial da ópera, passada em Sevilha. É noite e canta-se uma serenata. A ópera é iluminada por essa luz ténue, mas suficiente para os dois amantes se verem. O velho Bartolo tenta proteger a menina Rosina de tudo e de todos. Essa luz também simboliza o amor. O amor vence tudo.
Esta lanterna é a imagem que usamos para comunicar a ópera de Gioachino Rossini, considerada uma das mais brilhantes óperas "buffas", comédia vibrante, repleta de intriga, charme e inteligência. Fizemo-lo por várias razões. Desde logo por ter sido uma criação de um designer e de uma empresa da região. Depois por todo o significado. A lanterna simboliza a luz que pode iluminar o nosso caminho desde os tempos ancestrais e que fomos capazes de transformar em eletricidade - tão necessárias nestes tempos de tempestades. Não nos esqueçamos que o nosso Planeta é hostil, a nossa sobrevivência é periclitante e difícil, sempre à beira de uma catástrofe. E essa luz acaba por ser o farol no nosso caminho e, de algum modo, estar no centro da nossa vida.
Tem um significado muito especial. Para nós, nas artes performativas, que seja o nosso farol, um futuro mais brilhante, para continuarmos a acreditar que vale a pena, no lado bom da humanidade."
Osvaldo Ferreira
Maestro
61 anos
