
As tendências parecem indicar que caminhamos para o "posting zero", ou seja, uma realidade em que não "postamos" nada ou quase nada. Os conteúdos cada vez mais profissionalizados, os algoritmos e a noção de privacidade têm dedo nisso. Mas não, não estamos a deixar os ecrãs, continuamos colados a eles, só nos estamos a tornar meros consumidores, espetadores também no universo digital.
A fotografia do pequeno-almoço naquele restaurante da moda, os animais de estimação, as férias eternizadas nos murais. Publicar momentos casuais das nossas vidas era algo que se fazia nos primórdios das redes sociais com grande frequência. Todas as pessoas "postavam" fragmentos dos seus dias no Facebook, no Instagram, para centenas de seguidores poderem ver e interagir. Porém, essa tendência parece estar a cair. Pessoas comuns já não partilham tanto da sua vida online, os nossos amigos foram deixando de publicar. Há todo um conjunto de influenciadores e marcas que nos inundam os feeds, mas as redes parecem cada vez menos um retrato do nosso círculo social. Recentemente, num artigo publicado na revista norte-americana "The New Yorker", o escritor Kyle Chayka defendeu que estamos a caminhar para o "posting zero", que é o mesmo que dizer que estamos nas redes, mas não publicamos absolutamente nada.

