"Estou sempre à procura de aligeirar as tragédias reais com comédia"

Foto: Leonel de Castro
O sonho era ser cantora, só que a vida tinha-lhe reservado outros planos. Mudou-se da Bélgica para Portugal, a representação falou mais alto e, nos últimos tempos, virou um fenómeno em formatos de humor. Mas há quem diga que faz tudo bem. Navega séries, cinema, musicais, teatro. O país rendeu-se a Gabriela Barros. E ela responde com amor. Aos 37 anos, fala da infância, da relação atribulada com o peso e da costela brasileira. Da culpa que a maternidade traz, do riso que a salva e das saudades de fazer drama. Depois de ter sido mãe pela segunda vez, está em cena com o espetáculo "Mães". E talvez se lance num monólogo ainda este ano. Talvez.
São onze da manhã quando Gabriela entra na agência Notable, com morada em Lisboa, de sorriso doce e humor afiado. "Aqui não há provas do "Taskmaster", não serei tão genial", avisa logo a abrir. Diz nunca ter frases feitas, grandes citações para estes momentos e aborrece-se com isso. Há de confessar, mais à frente, que se sentir que não esteve bem em algum episódio, não o vê, morre de vergonha quando acha que não tem graça. Não trouxe a cadela Olívia, "é uma salsicha", pensa sempre em levá-la para entrevistas, de todas as vezes se esquece. É o "cérebro de mãe". Tem memória de peixe, mas, enquanto é fotografada, desata a recordar com detalhe o momento em que a mãe a apanhou na casa de banho a reproduzir um anúncio da L'Oréal ainda em miúda. A veia de artista é de sempre e o sentido de humor corre-lhe no sangue. A atriz é um retrato fiel da figura televisiva que todos conhecemos e que o país parece amar. É por aí que começa a conversa.

