
Foto: Filipe Amorim/EPA
Desde que foi detido, há mais de 11 anos, o antigo primeiro-ministro já vai no quarto advogado. Nova defensora tem dez dias para consultar um processo que continua a avançar a passo de caracol.
De atraso em atraso
Depois de se terem passado quase 11 anos entre o dia em que o antigo primeiro-ministro José Sócrates foi detido no Aeroporto de Lisboa e o início de julgamento (em julho do ano passado), com um sem-fim de recursos e incidentes processuais pelo meio, o escrutínio da Operação Marquês continua a passo de caracol. Em novembro, quatro meses após o arranque do julgamento, o então advogado de José Sócrates, Pedro Delille, renunciou ao mandato de defensor do ex-chefe de Governo, dizendo que recusava participar num "julgamento de brincar". A 11 de novembro, o processo foi suspenso, para Sócrates designar novo advogado. O escolhido foi José Preto. No entanto, também este renunciou, depois de a juíza Susana Seca ter recusado nova suspensão do julgamento, para que este recuperasse totalmente de uma pneumonia. Pelo meio, o tribunal atribuiu a Sócrates dois advogados oficiosos, mas ele recusou ambos. A 8 fevereiro, o antigo primeiro-ministro comunicou ao tribunal que tinha nova advogada: Sara Leitão Moreira. O julgamento está outra vez suspenso, para que esta possa consultar o processo.
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Meses foi o tempo pedido pela nova advogada de José Sócrates, Sara Leitão Moreira, para consultar o processo da Operação Marquês. A juíza responsável pelo caso, Susana Seca, recusou o pedido e deu-lhe um prazo máximo de dez dias.
Primeiro advogado de Sócrates morreu em 2020
A Operação Marquês já deu tantas voltas que José Sócrates já teve quatro advogados. Para além de Pedro Delille, José Preto e Sara Leitão Moreira, o seu primeiro defensor foi o advogado João Araújo, que assumiu funções logo em novembro de 2014 e o acompanhou durante os primeiros anos. Conhecido pela postura combativa, muitas vezes polémica, faleceu em 2020, com cancro.
Quem é Sara Leitão Moreira?
A nova defensora do antigo primeiro-ministro viveu até aos 16 anos no Canadá, sendo hoje advogada em prática individual, em Coimbra. Com pós-graduação e mestrado em Direito Penal, é professora assistente na Coimbra Business School, e está a fazer doutoramento em Ciências Jurídico-Criminais. Defendeu um arguido do processo de tráfico de droga liderado por "Xuxas" e representou um suspeito da Operação Punho Cerrado, ligada ao exercício ilegal da atividade de segurança privada.
Acusado de 22 crimes, continua a jurar inocência
José Sócrates, um dos 28 arguidos da Operação Marquês, está acusado de 22 crimes: seis de fraude fiscal, 13 de branqueamento de capitais, três de corrupção. Terá sido corrompido enquanto primeiro-ministro para beneficiar o grupo Lena e usado as contas do amigo Carlos Santos Silva para movimentar milhões que, aponta a acusação, lhe pertenciam. Ao longo destes anos, tem jurado que se trata de uma armação política. Esteve 288 dias em prisão preventiva.

