Madalena Abecasis. "Não tenho cabeça para estar a fazer uma personagem"

Madalena Abecassis abriu as portas de casa, em Cascais, à Notícias Magazine
Foto: Adelino Meireles
Em miúda sonhava ser decoradora ou estilista, cresceu virada para as artes, a pintar paredes em casa. Mas acabou a tornar-se influencer quando decidiu ser mãe a tempo inteiro. O humor desbragado e as partilhas despudoradas conquistaram milhares de seguidores e é hoje uma das figuras do digital mais adoradas no país. Pôs meio mundo a remodelar móveis e a fazer croché. Não faz planos, não vive sem rotinas, é ansiosa, não gosta de sair de casa e tem medo de morrer cedo. Fala da maternidade, do trauma da perda, de expor ou não os filhos nas redes sociais, da veia solidária que já vem da infância e do papel da mulher. Aos 44 anos, a "tia Lena", como é conhecida, está exatamente onde quer estar. E vive desejosa de chegar aos 50 (ou, pelo menos, está a tentar convencer-se disso).
São duas da tarde, Madalena abre-nos as portas de casa, em Cascais, um palacete digno de uma qualquer novela brasileira. Desce as escadas da entrada de sorriso aberto e apresenta-se cheia de simpatias, como se não soubéssemos quem ela é. Confessa que passou a manhã toda "de rabo para o ar" a limpar a casa, depois de deixar os miúdos na escola, só para esta entrevista. Mostra-nos o "bosque", espécie de trepadeira com flores, que acabou de montar no hall de entrada. "Não está lindo?" Está. E também os puzzles que fez com o marido, milhares de peças emolduradas a ocupar uma parede inteira, "não comecem, porque isto é viciante". Leva-nos pelo ateliê onde faz nascer peças de cerâmica, o hobby que é uma paixão arrebatadora. Ainda mostra os bancos da cozinha que pintou e que a cadela Manela destruiu. Há de apresentar-nos a Manela e o Carlos, no final, apesar dos receios, "porque eles ladram muito a estranhos". A influencer tem a graça natural e a gargalhada solta que vemos no Instagram. Não, não é uma personagem.


